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28/05/2007 - 18h45

Proibição de caça às baleias sob ameaça em reunião no Alasca

Por P. Parameswaran=(FOTOS)= ANCHORAGE, Alasca, 28 maio 2007 (AFP) - Representantes de 75 países inauguraram nesta segunda-feira um encontro crítico para a preservação das baleias, em meio a pressões - sobretudo do Japão - para suspender uma proibição de 20 anos contra a caça aos gigantescos cetáceos.

No encontro anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI), na capital do Alasca, os Estados Unidos e o Japão - líderes de fato dos grupos anti e pró-caça comercial de baleias - pediram união por um encontro produtivo.

"Devemos encontrar uma forma de trabalhar juntos para termos uma reunião bem sucedida, mas também para encontrar uma saída para o futuro da CBI, que seja uma organização efetiva" em seu mandato de regular a caça e se encarregar da conservação destes mamíferos, disse William Hogarth, representante dos Estados Unidos na CBI.

Ele pediu "discussões efetivas, abertas e conscienciosas" de parte dos delegados, que devem decidir em quatro dias de reunião se aceitam a proposta do Japão, que junto com a Noruega e a Islândia querem pôr um fim à moratória da caça dos cetáceos.

A reunião também deve analisar um pedido americano para renovar as quotas de caça de baleias bowhead para suas comunidades nativas do Alasca.

Rússia, Groenlândia e São Vicente e Granadinas também querem a extensão na CBI de suas quotas para a subsistência de seus aborígenes para os próximos cinco anos. Embora a CBI tenha imposto uma proibição à caça comercial de baleias em 1986, permite a alguns povos indígenas caçar para atender às suas necessidades culturais e de subsistência.

O Japão - questionado por supostamente fazer uso da caça para fins científicos como disfarce para a caça comercial - também pediu à CBI que suas comunidades costeiras tradicionais possam capturar uma quantidade não especificada de baleias Minke, segundo as mesmas regras da CBI que permitem aos Inupia e aos Yup'ik do Alasca caçar os cetáceos gigantes.

Grupos ambientalistas consideram que a proposta japonesa equivale a uma caça comercial, mas Tóquio desenvolveu um plano quase idêntico à proposta americana.

"Não aceitamos a diferença entre caça comercial e não-comercial e de subsistência. Só deveria existir a caça sustentável e a não-sustentável", disse à imprensa Joji Morishita, representante do Japão na CBI.

As regras da CBI indicam que as baleias capturadas para a subsistência de povos aborígenes devem ser usadas para o consumo local, mas não especifica que esta atividade deve ser não-comercial. Os Estados Unidos subsidiam a caça de baleias no Alasca, enquanto o Japão quer que os baleeiros se financiem através da venda de carne de baleia localmente.

Austrália, Nova Zelândia e outros países contrários à caça de baleias têm atacado duramente o programa de pesquisas japonês, considerando que este disfarça a caça comercial de baleias. Anualmente, umas 1.000 baleias morrem devido aos arpões japoneses sob a alegação da "pesquisa científica".

A Noruega, por sua vez, o maior caçador mundial, qualificou os Estados Unidos e os outros opositores ao comércio de carne de baleia de hipócritas.

O lobby contra a caça de baleias quer destruir a CBI, assegurou.

"Há muitas atividades de caça ilegal nestes países (Estados Unidos, Rússia e Groenlândia) em baleias menores, mas a imagem sobre nós é absolutamente errada e todos aqui deveriam ser honestos e deveríamos deter esta hipocrisia", disse à AFP Karsten Klepsvik, representante da Noruega junto à CBI.

O Japão conseguiu, no ano passado, uma resolução simbólica segundo a qual "não é mais necessária" a moratória sobre a caça das baleias, mas não pôde levantar a moratória.

As nações contrárias à caça parecem ter uma pequena maioria este ano.

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