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29/05/2007 - 16h49

Japão e outras grandes potências em queda de braço por caça de baleias

Por P. Parameswaran=(FOTOS+GRÁFICO ANIMADO)= ANCHORAGE, Alasca, 29 mai (AFP) - O Japão informou nesta terça-feira que seguirá adiante com seu polêmico plano de caçar baleias jubarte, depois que várias grandes potências rejeitaram sua proposta e apesar das advertências da Austrália e da Nova Zelândia de que seria um "ato provocativo".

"O Japão está avançado em seu programa de pesquisa conforme o planejado nesta etapa e isto inclui as (baleias) jubarte", disse à AFP Glenn Inwood, porta-voz da delegação japonesa na reunião anual da Comissão Baleeira Internacional (CBI), que se celebra desde segunda-feira em Anchorage (Alasca, norte).

O Japão quer caçar 50 baleias jubarte, muito protegidas, entre os grupos que migram ao longo da costa da Austrália e da Nova Zelândia, até o Pacífico tropical, no âmbito de seu programa de pesquisa científica sobre as baleias.

O plano gerou mal-estar entre os dois países e em grupos ambientalistas, preocupados com o destino dos mamíferos gigantes.

As baleias jubarte são conhecidas por fazer acrobacias, que atraem todos os anos milhões de turistas e rendem bilhões de dólares para as comunidades costeiras de todo o mundo, argumentou Patrick Ramage, da organização privada americana Fundo Internacional para a Proteção dos Animais (IFAW, na sigla em inglês).

Na inauguração da 59ª reunião dos 71 países da CBI, na segunda-feira, o Japão se disse disposto a renunciar este ano à sua pesca científica se obtiver o direito para algumas de suas comunidades costeiras de pescar um número indeterminado de baleias Minke.

A CBI, que decretou uma moratória sobre a caça comercial de baleias em 1986, faz uma exceção para algumas populações indígenas para permitir que garantam sua sobrevivência. Trata-se dos povos autóctones de Alasca, Rússia, Groenlândia e São Vicente e Granadinas.

Há 20 anos o Japão pede que este direito seja ampliado para quatro de suas pequenas comunidades costeiras, mas a CBI se nega, afirmando que esta seria uma quota comercial.

A nova proposta japonesa foi rejeitada imediatamente por uma coalizão de países contrários à caça da baleia, que reúne Brasil, Argentina, Estados Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, Austrália e Nova Zelândia.

As normas da CBI permitem a caça de baleias por razões científicas, enquanto grupos ambientalistas afirmam que o Japão está explorando esta permissão para caçar com fins comerciais.

Sob seu programa científico, o Japão mata 1.000 baleias, cuja carne é vendida.

O programa japonês permite aos baleeiros caçar quotas anuais de 10 cachalotes, 100 baleias-sei, 100 balias de Bryde e 120 baleias Minke no Pacífico Norte e até 935 baleias Minke e 10 baleias-fin numa área da Antártica declarada santuário de baleias pela CBI em 1994.

Além disso, tem previsto somar a caça de 50 baleias jubarte e passar de 10 a 50 baleias-fin até o fim deste ano.

O ministro australiano do Meio Ambiente, Malcolm Turnbull, e o ministro neozelandês da conservação, Chris Carter, condenaram o plano do Japão.

A proposta japonesa é um "gesto extraordinariamente provocativo para o povo da Nova Zelândia e pedimos um diálogo melhor", disse Turnbull.

O destino de mamíferos em risco não é uma questão negociável, disse por sua vez o ministro da biodiversidade britânico Barry Gardiner, afirmando que o plano japonês é contrário aos princípios científicos da CBI.

Apesar da proposta generalizada, Japão, Islândia e Noruega continuam pressionando para suspender a moratória contra a caça comercial de baleias.

No ano passado, o Japão e os demais países favoráveis à caça conseguiram uma resolução simbólica que considerou que a moratória "não é mais necessária".

E os países contrários à caça parecem ter uma pequena maioria este ano na reunião que se estenderá até 31 de maio.

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