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30/05/2007 - 18h50

Japão aponta seus arpões para pedir que se suspenda a proibição da caça de

baleiasPor P. Parameswaran=(FOTOS)= ANCHORAGE, EUA, 30 mai (AFP) - A Comissão Baleeira Internacional (CBI) discutiu, nesta quarta-feira, o pedido do Japão pela suspensão da proibição que já dura duas décadas sobre a caça comercial das baleias. Além de não ser aceita, a reivindicação japonesa deve gerar uma divisão maior na polarizada organização de 75 países.

O Japão faz campanha para que se suspenda a proibição da caça comercial às baleias desde que esta foi imposta em 1986, mas este ano o país pede que suas comunidades costeiras tradicionais tenham o mesmo direito de caçar baleias que as comunidades nativas dos Estados Unidos e da Rússia.

"Nossa proposta é substancialmente diferente das outras em muitos sentidos", disse o líder japonês na comissão, Joji Morishita.

Morshita explicou que o Japão está disposto a negociar a quantidade de baleias Minke que poderiam ser capturadas por suas comunidades costeiras e consideraria a hipótese de reduzir sua caça "com fins científicos".

Tóquio apresentou a proposta fazendo referência às regras da CBI que permitem quotas de subsistência para povos aborígenes, argumentando que a cultura baleeira de suas comunidades já existe há vários séculos.

"Estamos apenas usando a linguagem da caça de subsistência que existe destinada exclusivamente ao consumo local e apresentamos 40 documentos acadêmicos de renomados antropólogos mundiais que comprovam que a caça de baleias costeiras no Japão não difere da caça de subsistência", acrescentou Morishita.

O líder japonês na CBI afirmou ainda que o argumento contrário à venda de carne de baleia no Japão não se sustenta, uma vez que nos Estados Unidos ela é vendida abertamente e artesanatos a base de baleia são comercializados a preços exorbitantes, inclusive no hotel onde a CBI realiza seu encontro em Anchorage, no Alasca.

"Vender artesanatos de baleia não é comercial, mas vender carne de baleia é comercial. Isso não faz sentido", disse Morishita.

"As baleias são parte da cultura alimentar japonesa e pedir que o Japão reduza a caça é um tipo de imperialismo cultural", disse o porta-voz da delegação japonesa, Glenn Inwood.

Apesar de Tóquio considerar que seja sua melhor proposta para suspender a moratória, há poucas possibilidades de que tenha êxito, já que precisaria de três quartos dos votos na CBI para eliminar a proibição.

Os grupos a favor e os contra estão em pé de igualdade na CBI e nenhum dos dois pode reunir grande maioria. Isto deixou o organismo praticamente paralisado, com poucas reformas em suas políticas.

No ano passado, o Japão conseguiu uma resolução simbólica que julgava "não ser mais necessária" a moratória, mas dizia que ainda não se pode eliminar a proibição.

Os países contrários à caça que, segundo o que se calcula, estão em ligeira vantagem esse ano, descartaram qualquer compromisso com a nação nipônica.

A organização ecológica Greenpeace afirma que as baleias enfrentam um futuro obscuro, uma vez que elas podem morrer quando atingidas por barcos, asfixiadas por bolsas plásticas, envenenadas por contaminação ou ainda de fome pelas mais diversas variações no mar em decorrência das mudanças climáticas.

"É inacreditável que a CBI ainda esteja considerando a idéia de debater a caça comercial", disse Junichi Sato, coordenador do Greenpeace no Japão que assiste à reunião.

Os grupos contra a caça também pedem uma nova agenda obrigatória que trate do fim da caça científica, uma proibição permanente da caça comercial e a aprovação de novos santuários para as baleias.

"Isto poderia causar uma ruptura na CBI porque vai de encontro aos objetivos da convenção baleeira original", afirmou um observador veterano das reuniões da CBI, que pediu para não ser identificado.

Alguns especulam que o Japão, a Islândia e a Noruega, os líderes dos países defensores da caça, poderiam abandonar a CBI.

Japão e Estados Unidos são os principais financiadores do organismo.

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