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31/05/2007 - 15h52

Bípedes aprenderam a caminhar nas árvores, com a ajuda das mãos

Por Vilem Bischof=(INFOGRAFIA)=PARIS, 31 mai (AFP) - Os primeiros bípedes, ancestrais dos homens, aprenderam a caminhar entre as árvores, com a ajuda das mãos, afirmam cientistas britânicos após estudar orangotangos modernos.

Em um artigo publicado na edição desta sexta-feira da revista científica Science, seus autores defendem esta hipótese a partir da observação do comportamento de orangotangos na ilha indonésia de Sumatra.

Estes grandes macacos avermelhados, que passam quase toda a vida nas árvores, se deslocam de três formas distintas quando procuram comida, explicam os três biológos, Susannah Torpe e Roger Holder, da Universidade de Birmingham, e Robin Crompton, da Universidade de Liverpool.

Quando sobem nas árvores e alcançam um ramo horizontal robusto, os orangotangos caminham com as quatro patas. Já ao encontrar um ramo de menor espessura, eles se penduram nele para avançar.

Ao chegarem aos ramos mais compridos e menos resistentes no topo das árvores, onde ficam as frutas mais saborosas, eles se erguem e se apóiam no pés.

Para manter o equilíbrio, esticam os braços, como trapezistas, até encontrarem outro ramo superior.

Os orangotangos são muito pesados para saltar de galho em galho, como fazem os chimpanzés.

Caminhando sobre suas duas pernas, "com a ajuda das mãos", segundo a expressão usada pelos cientistas, os orangotangos indonésios são a chave para cogitar uma técnica de locomoção que poderia ser a dos primeiros hominídeos, que ainda viviam nas árvores.

A teoria é "um argumento plausível e elegante que explica a subida dos bípedes em um contexto arboricultor, ao invés do terrestre", enfatizam no mesmo número da revista Paul O'Higgins e Sarah Elton, da Hull York Medical School.

À medida que apareciam mais e mais espaços entre os bosques na África, durante o Mioceno (de 5 a 23 milhões de anos atrás), os ancestrais dos chimpanzés e gorilas decidiram descer regularmente para o solo para "inventar" uma marcha quadrúpede original, apoiando-se em suas mãos.

O ancestral do orangotango asiático aperfeiçoou esta forma de locomoção em cima das árvores, enquanto o bípede do qual descende o homem decidiu fortalecer esse estilo no solo, nas savanas.

O problema é que essa "descida das árvores", uma teoria muito popular há décadas, nunca foi provada e é apenas uma das tentativas de se explicar o caminhar ereto do homem, que não tem equivalente no mundo dos primatas.

"Se nossos ancestrais tinham uma anatomia como a que permite aos orangotangos fazer o que fazem, com mãos e pés tão bem adaptados à escalada e à suspensão, então seria bastante específico para explicar o que somos atualmente", diz a antropóloga francesa Yvette Deloison, em declarações à AFP.

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