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21/06/2007 - 14h43

Intelectuais mulçumanos homenageiam Bin Laden em protesto contra título concedido a Rushdie

ISLAMABAD, 21 Jun 2007 (AFP) - Um grupo de intelectuais mulçumanos paquistaneses concedeu a Osama Bin Laden, nesta quinta-feira, sua mais alta homenagem em resposta à concessão do título de nobreza dado a Salmon Rushdie pela rainha da Inglaterra, o que gerou manifestações no Paquistão, inclusive, pedidos de morte do escritor.

O novo "Caso Rushdie", 18 anos depois da publicação de "Os Versos Satânicos", tem provocado desde segunda-feira, no Paquistão, manifestações anti-britânicas e chamados a assassinar o escritor "blasfemo", enquanto Londres lamenta que alguns possam se sentir ofendidos.

Em reação à condição de "Sir" concedida a Rushdie, grupos islâmicos solicitaram que o Paquistão concedesse suas mais altas honrarias ao mulá Omar, líder talibã foragido, assim como a Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda.

O conselho paquistanês dos ulemás (teólogos mulçumanos), uma organização privada formada por 2.000 membros, disse que concedeu ao chefe da Al-Qaeda o título de "Saifulá" ou "Espada de Alá".

Estes teólogos, que supostamente devem agir em prol da harmonia religiosa, também encorajam o presidente paquistanês Pervez Musharraf a solicitar uma reunião de urgência da Organização da Conferência Islâmica (OCI) para pressionar a Grã-Bretanha a retirar a distinção concedida a Rushdie.

Nesta quinta-feira, os manifestantes gritaram: "Morte a Grã-Bretanha e a Rushdie!", na cidade de Lahore, apesar do motivo original da assembléia ter sido para apoiar o ex-presidente da Corte Suprema, deposto pelo presidente paquistanês, Pervez Musharraf.

O movimento de manifestantes reunido em Lahore, composto por advogados e opositores ao presidente, vem agindo há três meses no Paquistão e constitui o principal foco da crise a qual se expôs Musharraf desde que assumiu o poder mediante um golpe de Estado em 1999.

Rushdie, de origem indiana, passou vários anos na clandestinidade depois de ter sido "condenado à morte" por um decreto religioso (fatwa) emitido em 1989 pelo fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá Khomeini.

O porta-voz da assembléia de Pendjab afirmou nesta quinta-feira que assassinaria Rushdie se o visse e refez o pedido do líder de uma mesquita fundamentalista em Islamabad:

"Eu sou um mulçumano e um homem político e o islã ordena pena de morte a um blasfemo. Se este homem (Rushdie) passar na minha frente, eu o mato, sem dúvida alguma", prometeu Afzal Sahi da Liga Mulçumana do Paquistão.

Comerciantes de Islamabad ofereceram 165.000 dólares de recompensa para quem executar Rushdie.

"Cortem a cabeça de Rushdie!", gritavam cerca de 200 pessoas.

O secretário da associação de comerciantes profissionais, Ajmal Baluch, exigiu que os países mulçumanos não comprassem produtos britânicos.

Na Caxemira, um imã pediu que se queimassem os livros de Rushdie, enquanto o mufti Bashir u Din considerou que o escritor "merece a morte" por suas "injúrias".

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