UOL Notícias Notícias
 

20/07/2007 - 13h00

Israel liberta mais de 250 presos palestinos

RAMALLAH, Cisjordânia, 20 Jul 2007 (AFP) - Israel libertou nesta sexta-feira mais de 250 presos palestinos, a maioria pertencente ao partido Fatah, em um gesto de apoio ao governo do presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, que saudou a "volta dos heróis da liberdade" ao seu lar.

"Agradeço a Deus, que nos honrou com a volta dos heróis da liberdade a seu lar e sua pátria. Temos de continuar trabalhando para a volta de todos os prisioneiros palestinos", declarou Abbas na cerimônia de recepção dos ex-prisioneiros na Muqata, a sede do governo palestino em Ramallah, Cisjordânia.

Onze mil palestinos continuam detidos em prisões israelenses.

Antes de chegar à Muqata, a maioria dos 255 presos libertados foram levados de ônibus da prisão israelense Ketziot, no deserto do Neguev, ao ponto de passagem de Beitunya, na entrada de Ramallah.

"Só tenho três palavras a dizer: liberdade, liberdade, liberdade. Nada é mais belo do que a liberdade", afirmou, emocionado, Abdelrahim Maluh, número dois da Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), um dos principais movimentos nacionalistas.

"Ninguém pode apreciar a liberdade melhor que quem foi privado dela", acrescentou Maluh, detido desde 2002.

O prisioneiro que cumpria a pena mais longa é Muhanad Yaradat, preso desde 1989 e condenado a 20 anos. Sua reclusão expirava em 27 de setembro de 2009.

"Hoje voltei a nascer. Infelizmente meu pai, a quem sonhava ver de novo, morreu enquanto eu estava na prisão", afirmou Jaradat.

"Agora minha prioridade na vida é me matricular na universidade para seguir meus estudos e continuar a luta pela libertação dos demais prisioneiros", acrescentou Jaradat, de 40 anos.

Ao receber os presos liberados, Abbas usava com gorro com a bandeira palestina e o lenço tradicional quadriculado preto e branco. Maluh estava a sua direita e o primeiro-ministro Salam Fayyad à esquerda.

O discurso de Abbas se viu interrompido aplausos de milhares de palestinos, que compareceram para receber os prisioneiros agitando bandeiras palestinas.

Depois os ex-presos visitaram o túmulo do líder palestino histórico, Yasser Arafat, no pátio da Muqata, antes de participar na grande oração coletiva desta sexta-feira.

Nos ônibus que levaram os presos libertados à Muqata era possível ver fotos de Mahmud Abbas e de seu predecessor, Yasser Arafat, assim como as cores da Palestina.

Vestida com um traje tradicional, Halima Yomur, de 60 anos, espera seu filho Imad, condenado a seis anos e meio de prisão e preso há quatro.

"Ele foi preso dez dias antes de seu casamento. Sua noiva continua esperando por ele e a primeira coisa que faremos é casá-los", contou.

Essas libertações são apresentadas por Israel como um gesto destinado a reforçar Abbas ante o movimento islamita Hamas, que tomou pelas armas o controle da Faixa de Gaza em junho.

A maioria dos libertados pertence ao Fatah de Abbas. Seis mulheres e onze menores estão entre os libertados.

No total, 102 membros do grupo de libertados pagaram menos da metade de suas penas, e 61 deles mais de dois terços. Nenhum deles estava envolvido em ataques que causaram a morte de israelenses.

Em Gaza, o primeiro-ministro do governo do Hamas, Ismail Haniyeh, afastado por Abbas, afirmou seu ceticismo quanto às intenções israelenses com esse gesto.

"Nós ficamos satisfeitos porque os prisioneiros foram libertados, mas nós nos preparamos para que seja utilizado politicamente, já que as boas intenções israelenses são uma armadilha destinada a prejudicar a unidade do povo palestino".

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -1,03
    3,146
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,09
    68.714,66
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host