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24/07/2007 - 19h43

Iraque: Washington renova acusações contra Teerã

BAGDÁ, 24 jul 2007 (AFP) - Os Estados Unidos voltaram a acusar o Irã, nessa terça-feira, de reforçar seu apoio às milícias que combatem as forças da coalizão no Iraque, ao final de uma segunda rodada de negociações americano-iranianas sobre a segurança em um país despedaçado pela violência.

"Constatamos que a atividade dessas milícias apoiadas pelo Irã aumentou" desde o dia 28 de maio, data do primeiro encontro em Bagdá entre Teerã e Washington, disse o embaixador dos EUA em Bagdá, Ryan Crocker.

Crocker se dirigiu à imprensa ao final de várias horas de negociações qualificadas de "francas e globais", com o colega iraniano, Hassan Kazemi Qomi.

Posteriormente, o embaixador americano admitiu, porém, que as discussões foram difíceis no momento em que Washington acusou Teerã de apoiar as milícias extremistas.

"Disse que não estávamos lá para provar o que quer que fosse diante de um tribunal. Estamos lá para lhes informar que sabemos o que eles fazem, e que isso deve parar", declarou.

O encontro entre os dois embaixadores foi o segundo desse nível entre ambos os países desde a ruptura de suas relações diplomáticas em 1980, após a tomada de reféns na embaixada dos EUA na capital iraniana.

"O que conta são os resultados obtidos no terreno", declarou o embaixador americano. "Claramente, não vimos nada por enquanto", criticou.

O Exército americano acusa, regularmente, os grupos ligados ao Irã de treinar movimentos extremistas iraquianos e lhes fornecer armas capazes de atingir os blindados. Teerã sempre negou.

"As acusações americanas são sem fundamento e visam a enganar a opinião pública que se preocupa com a política belicista dos Estados Unidos", rebateu nessa terça, em Teerã, o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Ali Hosseini.

"É melhor que os americanos procurem os meios de sair da crise iraquiana (...) e respeitem a independência e a vontade do povo iraquiano", acrescentou.

Apesar da tensão, o encontro, que aconteceu no gabinete do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, na Zona Verde, levou à idéia de um comitê tripartite de segurança, formado pelos EUA, Irã e Iraque, informaram autoridades iraquianas.

"A reunião (iraniano-americana) foi construtiva, e temos a sensação de que ela produziu resultados reais", declarou o chefe da diplomacia iraquiana, Hoshyar Zebari.

"Chegamos, pela primeira vez, a um acordo para trabalhar junto em um comitê de segurança, com o objetivo de servir ao povo iraquiano", relatou o chanceler.

Em uma nota à parte, a assessoria do premier Al-Maliki acrescentou que as "duas partes (iraniana e americana) reiteraram seu apoio ao processo democrático no Iraque e decidiram formar um comitê de segurança".

De acordo com o primeiro-ministro, o comitê tentará limitar as atividades das milícias, lutar contra a rede terrorista Al-Qaeda e instaurar a segurança nas fronteiras. A nota não se referiu, contudo, às milícias xiitas extremistas que receberiam apoio do Irã, segundo os EUA.

Crocker disse, por sua vez, que a composição do novo comitê não está determinada, assim como a data na qual seus representantes devem se reunir.

Intervindo no início da reunião dessa terça, Al-Maliki pressionou Irã e Estados Unidos a unificarem seus esforços para estabilizar o Iraque.

"Peço ao mundo e aos nossos amigos que unifiquem seus esforços para enfrentar o terrorismo e combater a Al-Qaeda", afirmou.

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