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10/09/2007 - 11h12

Talibãs se dizem prontos para discutir com governo afegão

CABUL, 10 Set 2007 (AFP) - Os talibãs se declararam prontos para aceitar a proposta de diálogo do presidente Hamid Karzai a fim de negociar o fim da sangrenta guerra que lançaram há seis anos, quando perderam o poder no Afeganistão.

"Pelo bem e pelos interesses da nação, estamos prontos para negociar com o governo", declarou à AFP Yusuf Ahmadi, porta-voz dos talibãs.

Esta é a primeira vez que os talibãs se mostram dispostos a discutir com Karzai, homem que os sucedeu - inicialmente em caráter provisório - depois da queda dos talibãs forçada pela coalizão internacional dirigida por Washington no fim de 2001.

O porta-voz dos talibãs propôs que as discussões acontecessem entre representantes do governo, aos moldes das que tiveram com a delegação de Seul, quando negociavam a libertação dos reféns sul-coreanos durante seis semanas.

O talibã, no entanto, exprimiu dúvidas sobre a sinceridade do presidente. "Nós sabemos que o governo, ao tratar os talibãs como terroristas, não se abriria a negociações", disse ele.

O presidente Karzai se declarou novamente disposto neste domingo a discutir com os talibãs para que ponham fim a sua insurreição sangrenta que tem se mostrado cada vez mais violenta, com a realização de ataques suicidas contra iraquianos.

Karzai criou uma comissão de reconciliação em 2005, mas ela acabou não funcionando porque contou com apenas 2.000 islamitas de segundo escalão, afirmaram fontes oficiais.

"A paz não pode ser alcançada sem negociações. Qualquer afegão disposto a vir a este país para ajudar o Afeganistão a alcançar a paz, a estabilidade e o desenvolvimento é bem-vindo", declarou o chefe de Estado.

"Se eu tivesse o endereço dos talibãs e se eu pudesse enviar uma pessoa para encontrar com alguém que oficialmente se declarasse como uma autoridade talibã, eu o faria", acrescentou ele.

Questionado nesta segunda-feira sobre a resposta dos talibãs, o porta-voz presidencial, Homayun Hamidzada, declarou que "as portas do governo estão abertas a todos os que estiverem dispostos a obedecer à Constituição do país".

O presidente Karzai mandou neste domingo um ramo de oliveiras ao líder fundamentalista do Hezb-i islami (HIG), Gulbuddin Hekmatyar, que também combate o governo, mas não é aliado dos talibãs.

Mas o porta-voz do grupo, Mohammad Haroon Zarghoon, disse à l'AFP que a posição do movimento não mudou: nenhuma negociação será aceita sem a retirada dos 50.000 soldados estrangeiros que apóiam o governo.

As propostas de Karzai não incluem, até o momento, os líderes dos outros dois movimentos fundamentalistas, o mulá Omar e Hekmatyar, ambos procurados por Washington.

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