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25/09/2007 - 15h36

EUA intensificam na ONU as pressões sobre o regime de Mianmar

NOVA YORK, 25 Set 2007 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou nesta terça-feira em Nova York novas sanções contra a junta militar de Mianmar e criticou a ONU por não fazer o suficiente para desafiar os governos "repressivos" de Cuba, Irã, Síria ou Coréia do Norte.

"Os Estados Unidos reforçarão as sanções econômicas aos líderes do regime e seus patrocinadores financeiros, e ampliaremos a proibição de visto àqueles que são responsáveis por violações atrozes dos direitos humanos, assim como aos membros de suas famílias", disse Bush em seu discurso na 62ª Assembléia Geral das Nações Unidas, que começou esta terça-feira em Nova York.

Bush recordou que a junta de governo mantém presa Aung San Suu Kyi, ícone da democracia birmanesa e que já recebeu o prêmio Nobel da Paz. A Liga Nacional para a Democracia de Suu Kyi venceu as eleições de 1990 em um triunfo jamais reconhecido pelos militares.

A junta militar birmanesa mobilizou centenas de soldados e policiais em Yangun após um novo protesto pacífico dos monges budistas, que conseguiram levar às ruas mais de 100.000 pessoas, apesar das advertências do regime.

Além disso, impôs a partir de quarta-feira um toque de recolher (das 21H00 às 5H00) em Yangun e declarou a cidade, a mais importante de Mianmar, área militar "restrita" após vários dias de protestos.

Bush também criticou a ONU por não fazer o suficiente para desafiar governos repressivos como Cuba, Belarus, Coréia do Norte, Síria e Irã, além do Zimbábue e do Sudão.

"Em Cuba, o regime de um ditador cruel se aproxima do fim", afirmou Bush.

"O povo cubano está pronto para a liberdade e sua nação entra em um período de transição, a ONU deve insistir na liberdade de expressão, na liberdade de reunião e, em última instância, eleições livres e plurais em Cuba", acrescentou.

Ao ouvir estas palavras, a delegação cubana liderada pelo chanceler Felipe Pérez Roque abandonou a sala imediatamente, em sinal de protesto.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, recebeu a palavra na Assembléia duas horas depois de Bush e se lançou contra os Estados Unidos. Segundo Ortega, o vizinho do norte "impõe um bloqueio brutal" contra Cuba.

Bush também havia criticado o Conselho de Direitos Humanos da ONU, afirmando que "esta instância se manteve em silêncio diante da repressão conduzida pelos regimes de Havana, Caracas, Pyongyang e Teerã, enquanto concentrava suas críticas excessivas sobre Israel".

O presidente americano dedicou boa parte de seu discurso para criticar o Irã, país que incluiu numa lista de "regimes brutais", também integrada por Síria, Coréia do Norte e Belarus, que "negam a seus povos (...) direitos fundamentais".

Por sua vez, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, fez menção à controvérsia nuclear que o Irã enfrenta com a comunidade internacional, afirmando que deixar que o Irã obtenha uma arma nuclear seria "correr um risco inaceitável".

"O Irã tem direito à energia nuclear", declarou. "Mas deixar que o Irã desenvolva a arma nuclear nos faria correr um risco inaceitável para a estabilidade da região e do mundo".

Ao mesmo tempo, a Câmara de Representantes dos Estados Unidos aprovava em Washington com ampla maioria uma legislação que reforça as sanções contra o regime iraniano.

A presença do presidente iraniano desbancou este ano a do presidente venezuelano Hugo Chávez no papel de vilão do evento. Ahmadinejad foi alvejado por críticas devido à sua postura sobre a energia nuclear e Israel.

Chávez, que no ano passado provocou comoção na opinião pública ao chamar de "diabo", "tirano" e "mentiroso" o presidente americano em seu discurso diante da Assembléia Geral, anunciou no último momento, esta terça-feira, que tinha decidido cancelar sua viagem à Nova York por problemas de agenda.

Bem diferente foi o tom de Luis Inácio Lula da Silva, que abriu os discursos presidenciais com um chamado à realização de uma conferência sobre meio ambiente no Brasil em 2012.

Lula lembrou que o Brasil foi anfitrião em 1992 da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, e pediu que a comunidade internacional avaliasse, 20 anos depois, o que foi feito.

"Precisamos revisar o que foi alcançado desde então, e estabelecer um novo rumo. Proponho que recebamos uma nova conferência, em 2012, no Brasil, a Conferência Rio+20", defendeu.

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