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11/10/2007 - 11h34

Segundo mandato de Hu Jintao não promete grandes reformas na China

PEQUIM, 11 Out 2007 (AFP) - O presidente chinês Hu Jintao se destacou até o momento pelo talento de administrador prudente, mas, apesar da promesa de combater as desigualdades sociais, seu segundo mandato não anuncia uma era de grandes reformas.

O secretário-geral do Partido Comunista, também presidente da República, será nomeado para um novo mandato de cinco anos no 17º congresso da formação, que começa na próxima segunda-feira.

No que diz respeito às reformas políticas, Hu Jintao, que completará 65 anos em dezembro, decepcionou rapidamente as esperanças dos que viam nele um digno sucessor de seu mentor, Hu Yaobang, o número um do partido sacrificado em 1987 e que sem dúvida alguma foi um dos dirigentes chineses mais ousados em termos de um projeto de democratização do regime.

"Antes de assumir o governo, todo o mundo murmurava que Hu Jintao era um reformista. Porém, ao chegar ao poder não fez reformas. Decepcionou muita gente", afirmou Joseph Fewsmith, um especialista em China da Universidade de Boston (Estados Unidos).

"Liu Binyan (escritor e jornalista dissidente falecido em 2005) dizia que o único defeito de Hu Yaobang era não ter sabido escolher os homens que trabalhavam com ele, Hu Jintao era um desses", destaca Jean-Philippe Béja, um especialista da política chinesa no Centro de Estudos e Pesquisas Internacionais de Paris.

Apesar de Deng Xiaoping ter herdado uma China em plena bancarrota depois da Revolução Cultural e Jiang Zemin ter enfrentado grave crise depois de 1989, Hu Jintao teve um governo com menos sobressaltos e se beneficiou das conquistas de Jiang.

"A situação econômica global é seguramente uma das melhores de toda a história, devido aos primeiros efeitos da entrada da China na Organização Mundial do Comércio" (em 2001), afirmou Mao Shoulong, especialista em políticas públicas da Universidade Popular de Pequim.

Para muitos analistas, a principal tarefa de Hu nos próximos cinco anos, além da questão da sucessão, será tratar as desigualdades sociais.

"Continua sendo um problema bastante grave e seguramente continuará sendo o centro das políticas governamentais", afirmou Mao.

"As medidas mais importantes, e as mais populares, que poderiam sair deste congresso para as pessoas das ruas, serão as etapas suplementares para reduzir as diferenças de renda chocantes e ainda crescentes entre as cidades e o campo, entre a costa e o interior", opinou Sidney Rittengerg, um sinólogo americano, ex-membro do Partido Comunista Chinês e colaborador de Mao.

Durante os últimos anos, Hu se referiu em várias oportunidades a uma democratização do partido, mas não se deve esperar grandes reformas neste sentido, segundo os analistas.

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