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18/10/2007 - 15h49

Putin critica os EUA e alimenta suspense sobre sucessão no Kremlin

MOSCOU, 18 Out 2007 (AFP) - Vladimir Putin voltou suas baterias nesta quinta-feira contra os Estados Unidos, ao afirmar que o país deveria retirar-se do Iraque por ter fracassado, ao mesmo tempo em que deixou indefinidos seus planos para depois das eleições presidenciais russas de 2008.

Durante três horas, o presidente russo respondeu diretamente a quase 70 perguntas de seus compatriotas de Vladivostok, no extremo oriente do país, a partir de Kaliningrado, um enclave russo na União Européia.

Preciso, generoso nos números sobre o orçamento destinado aos hospitais, às estradas ou às famílias com o nascimento do primeiro filho, Putin falou de tudo, de sua falta de talento para idiomas estrangeiros aos projetos militares da Rússia.

"O que aconteceu no Iraque? Nós vimos. Eles (os americanos) aprenderam a disparar. Mas restabelecer a ordem, até agora, não conseguiram", declarou.

"E há poucas chances que tenham sucesso, porque combater um povo é certamente um objetivo sem futuro", afirmou, classificando a atual situação iraquiana de um "regime de ocupação", cuja duração pode ser eterna.

O chefe do Kremlin, que não perde a oportunidade para reafirmar a fortaleza da Rússia frente a um debilitado presidente americano, disse estar "de acordo" com George W. Bush sobre o fato de que os americanos não podem sair imediatamente do Iraque devido à instabilidade reinante neste país do Golfo.

"O que diferencia nossas posições é que os americanos dizem que não podem fixar uma data (para sua retirada). Creio que isso deveria ser feito, caso contrário os dirigentes iraquianos se sentirão sob a proteção de um guarda-chuva americano e não se apressarão para reforçar por si mesmos a segurança do país", comentou Putin.

Em Washington, as palavras do presidente russo não agradaram muito à Casa Branca, e a reação classificou o discurso como uma "avaliação sombria" que não correspondia à realidade, que dá mostras de progresso nos âmbitos da segurança, da política e da economia.

Quanto à viagem da última terça-feira a Teerã, em um contexto dominado pela tensão entre o governo do Irã e o Ocidente pelo programa atômico do presidente Mahmud Ahmadinejad, Putin afirmou que os rumores de que um atentado havia sido planejado contra ele no país tinham o objetivo "torpedear sua visita".

"O diálogo direto é sempre mais produtivo e um caminho mais curto em direção ao sucesso do que uma política de ameaças, de sanções e de pressão militar", disse, aludindo aos Estados Unidos.

O presidente estabeleceu ainda um paralelo entre Rússia e Iraque. De acordo com Putin, os Estados Unidos querem o petróleo iraquiano, mas a Rússia "não será um Iraque" e tem força suficiente para defender-se do apetite voraz dos Ocidentais.

Depois da sessão de perguntas e respostas, Vladimir Putin falou sobre sua socessão.

Ele se declarou contra a idéia de empreender uma reforma para transferir os poderes do presidente ao primeiro-ministro, uma possibilidade que lhe permitiria manter-se no poder como primeiro-ministro mesmo após concluir seu mandato presidencial, em maio de 2008.

"Outro homem" ocupará o posto, mas a orientação seguirá sendo a mesma, enfatizou.

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