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24/10/2007 - 16h50

Argentina vai às urnas com Cristina Kirchner como favorita

BUENOS AIRES, 24 Out 2007 (AFP) - Os argentinos elegerão seu presidente no domingo em uma disputa dominada por Cristina Fernández, a temperamental senadora peronista social-democrata que pega carona na locomotiva econômica impulsionada pelo governo de seu marido, Néstor Kirchner.

Cristina, de 54 anos, tem de 40% a 50% das intenções de voto, enquanto que a fragmentada oposição tenta pelo menos forçar um segundo turno no dia 25 de novembro.

"Vamos aprofundar a mudança!", foi um dos lemas da campanha da primeira-dama, uma advogada que forma com seu marido uma sociedade política que manipula o poder com estilo principesco, sem consultar mais ninguém a não ser um círculo de colaboradores íntimos.

A única adversária à vista é outra mulher, a liberal-cristã Elisa Carrió, de 50 anos, que se apresenta como uma alternativa centrista e moderada, paladino da luta anticorrupção e inimiga da aliança da Argentina com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

"Somos uma opção republicana frente ao autoritarismo do governo", afirmou Carrió, uma advogada que atua como franco-atiradora, sem estruturas partidárias desde que abandonou a União Cívica Radical (UCR, social-democrata).

Os Kirchner foram os sobreviventes políticos da crise de 2001, que levou à pobreza quase 20 milhões de argentinos, mais da metade da população.

Nos últimos cinco anos, ressuscitou a indústria, a agricultura, o turismo e o comércio, com um crescimento da economia de quase 45%.

O lado glamouroso mostra as pessoas que juntaram fortunas com recordes de exportações de cereais, em contraste com o lado obscuro de um terço de argentinos que sobrevivem com menos de cinco dólares por dia.

Mas se a economia foi fortalecida, também existe o calcanhar de Aquiles do governo: o descontrole da inflação, que ronda os 15% a 20% anual.

Carrió, vinculada à Igreja Católica e defensora de moderar o ritmo da economia para evitar a inflação, possui apenas 18% das intenções de voto, no melhor dos casos.

Ela tem de cinco a seis pontos de vantagem sobre o terceiro candidato, o ex-ministro da Economia de Kirchner, o peronista dissidente Roberto Lavagna, apoiado pela cúpula da UCR.

"Setenta por cento dos votos para Cristina estão nos bolsões de pobreza do pais. As classes médias buscam um opositor em quem votar", explicou o analista político Rosendo Fraga, da consultoria Nueva Mayoría.

Os Kirchner construíram sua liderança na pragmática aliança com seus antigos inimigos do peronismo ortodoxo e, inclusive, com os sindicalistas de direita.

A coalizão inclui os centro-esquerdistas que apóiam a política de direitos humanos pelo julgamento dos crimes da ditadura (1976-1983) e dissidentes da UCR, entre eles o candidato a vice, Julio Cobos.

A primeira-dama aparece como a continuidade do modelo e com uma imagem contemporânea, afastada do estilo da combativa Eva Perón, falecida em 1952 e ícone do peronismo nacionalista.

"O objetivo do governo é conduzir a social-democracia ao peronismo", afirmou Dante Dovena, deputado e amigo íntimo dos Kirchner.

No cenário mundial, Cristina Fernández promete melhorar os laços com os Estados Unidos e o primeiro passo foi dado por seu marido em 2006, ao acusar o Irã pelo atentado contra a associação judia AMIA, em 1994, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

Mas o eleitorado, apático, não parece nada interessado na campanha para uma eleição da qual sairá vencedor quem somar mais de 45% ou, pelo menos, 40%, com uma diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado para evitar o segundo turno.

Vinte e sete dos quase 40 milhões de argentinos estão convocados a decidir quem será o novo chefe de Estado, com um mandato de quatro anos, e também devem renovar metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado, entre outras dezenas de postos executivos e legislativos das províncias.

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