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25/11/2007 - 15h20

Novo protesto contra Putin termina com 200 presos

SÃO PETERSBURGO , 25 Nov 2007 (AFP) - A polícia antidistúrbios da Rússia prendeu 200 manifestantes em São Petersburgo neste domingo, um dia depois da prisão do líder da oposição Garry Kasparov - ex-campeão mundial de xadrez -, durante um protesto similar contra o presidente Vladimir Putin.

Entre os manifestantes detidos se encontra Boris Nemtson, que vai concorrer à eleição presidencial de 2 de março de 2008 pelo partido de oposição SPS. O político foi liberado duas horas depois

A manifestação, que ocorreu uma semana antes das eleições legislativas de 2 de dezembro, aconteceu 24 horas depois da polícia dispersar uma passeata similar de 2.000 pessoas em Moscou e prender Kasparov.

A justiça sentenciou o ex-campeão mundial de xadrez a passar cinco dias na prisão. Seu advogado informou à AFP que ele está sendo mantido em um quartel da polícia em Moscou.

Em São Petersburgo, a tropa de choque da polícia se reuniu no centro histórico da cidade para impedir que um pequeno grupo de manifestantes marchasse até o Palácio de Inverno, residência dos czares até a Revolução Bolchevique.

Um correspondente da AFP testemunhou cerca de 200 prisões em diferentes áreas. A maioria das pessoas foi libertada após algumas horas.

A rádio local informou que a líder da SPS, Nikita Belykh também foi presa.

A polícia também agrediu sete ativistas do jovem grupo radical de esquerda 'Bolcheviques Nacionais', que foram colocados em uma minivan.

Outra figura política presa pela polícia foi Maxim Reznil, líder local do partido de oposição Yabloko, além de outros membros da SPS.

A coalização "Outra Rússia", de Kasparov, acusa o Kremlin de corrupção, ataques a dissidentes e de planejar fraudar as eleições de dezembro para assegurar a vitória do partido "Rússia Unida", de Putin.

O presidente russo não poderá concorrer nas eleições de março, como determina a Constituição, que proíbe três mandatos consecutivos, mas é candidato nas eleições parlamentares.

No dia 21 de novembro, Putin chamou os adversários de "chacais".

Enquanto isso, na província de Karachaiyevo-Cherkessia, no norte do Cáucaso, outro líder da oposição, Mikhail Kasyanov, não pôde se encontrar com eleitores, após uma ameaça anônima de bomba fechar o edifício em que ele havia marcado a reunião, informou o programa de rádio "Ecos de Moscou".

A rádio informou também a prisão de outro candidato da SPS, o general da reserva Eduard Vorobyev.

Vladimir Pribylovsky, especialista político e crítico de Putin, afirmou que a retórica agressiva do presidente mostra que ele não se importa com as críticas internacionais no momento em que a Rússia, rica em reservas energéticas, se encontra com bastantes recursos provenientes dos 'petrodolares'.

"Na maioria das vezes Kasparov é deixado em paz, já que líderes da oposição, como ele, são conhecidos no exterior, mas levando em consideração o preço do petróleo, eles agora podem rir da opinião do Ocidente", diz o especialista.

Putin deve visitar, na segunda-feira, São Petersburgo, a segunda maior cidade do país, e a operação policial neste domingo parece ter sido planejada para mostrar claramente quem está no comando.

Caminhões com reforço policial e barricadas nas ruas podiam ser vistas nas ruas. As autoridades da cidade se recusaram a autorizar uma passeata, dando permissão apenas para manifestos imóveis em um quarteirão diferente daquele em que Putin deve passar.

"Eles lançaram uma operação militar na cidade; as autoridades estão com medo das pessoas que não querem aderir ao culto a Putin", afirma Olga Kurnosova, partidária de Kasparov.

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