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26/11/2007 - 09h39

Países árabes tentarão apoiar Abbas ante o Hamas em Annapolis

WASHINGTON, 26 Nov 2007 (AFP) - Os países árabes chegam à reunião de paz promovida pelos Estados Unidos nesta terça-feira com a intenção de apoiar o presidente palestino Mahmud Abas em sua queda-de-braço com o Hamas, que se transformou num obstáculo instransponível no caminho para o êxito, segundo os analistas.

Os países árabes, incluindo a poderosa Arábia Saudita, aceitaram na sexta-feira, durante um encontro da Liga Árabe no Cairo, participar na conferência de Annapolis, que busca relançar as negociações de paz entre israelenses e palestinos, paralisadas há muito tempo.

Egito e Jordânia, os únicos dois países árabes que assinaram acordos de paz com Israel, são os mais entusiastas em relação ao êxito da conferência orquestada pelo presidente George W. Bush.

Durante uma reunião de cúpula a três no Egito, na quinta-feira passada, o presidente do Egito, Hosni Mubarak, e o rei da Jordânia, Abdullah II, e Abbas manifestaram seu "otimismo" ante as possibilidades de que a reunião seja bem sucedida.

O líder da Autoridade Palestina pediu aos ministros das Relações Exteriores que participaram no encontro do Cairo que aproveitem "a oportunidade histórica" representada por esta conferência.

Os esforços diplomáticos para reativar um processo de paz iniciado em Camp David há sete anos retornaram depois da inesperada vitória do Hamas nas eleições legislativas de 2006.

A vitória levantou o temor entre os países vizinhos, particularmente Egito e Jordânia, onde os principais grupos opositores são formados por movimentos islamitas similares ao Hamas.

"O temor internacional de uma força islamita em expansão regional finalmente chegou ao Cairo, Amã e outros governos árabes", indicou Emad Gad, um especialista em conflito israelense-palestino do Centro Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos.

"Isso criou um consenso sobre a necessidade de concretizar algo que possa apoiar Mahmud Abbas e contra-atacar o Hamas", explicou.

O Hamas já afirmou que não reconhecerá qualquer acordo que surgir da reunião.

Segundo Gad, a Arábia Saudita aceitou se somar às conversações em Annapolis - apesar de com alguma reticência - porque não pode se permitir ao luxo do custo político de negar um pedido dos Estados Unidos, dos quais é um aliado-chave na região.

O poderoso reino petroleiro jamais reconheceu Israel e nenhuma figura pública importante jamais se reuniu com funcionários israelenses, exceto nas Nações Unidas e em uma reunião de cúpula internacional contra o terrorismo.

"Não vamos para para nos darmos as mãos ou expressar nossas emoções. Estaremos lá apenas para alcançar uma paz que salvaguarde os interesses árabes, os territórios palestinos, sírios e libaneses", indicou o ministro das Relações Exterireos saudita, Saud al-Faisal.

Segundo Gad, os Estados árabes apóiam o êxito das conversações para impulsionar uma melhoria tangível das condições na Cisjordânia, algo que poderá obrigar o Hamas a ceder na Faixa de Gaza.

Mas Ezzedin Chukri-Fisher, analista do centro de estudos International Crisis Group, afirma que isolar o Hamas cria um obstáculo maior para o relançamento das negociações entre israelenses e palestinos.

"Um processo de paz orientado contra o Hamas ou baseado no combate a ele não é viável", insistiu.

"Deve existir um diálogo interpalestino e uma reconciliação nacional, mas estes elementos estão completamente ausentes, o que lança dúvidas sobre a capacidade da Autoridade Palestina para controlar a segurança", acrescentou.

Depois de um acordo com Mubarak na terça-feira, Olmert disse esperar que se alcance um acordo com os palestinos para 2008.

Mas, apesar da iminência da conferência em Annapolis, as diferenças entre israelenses e palestinos permanecem.

Os palestinos e seus aliados árabes querem um calendário concreto para resolver os temas mais delicados como o status de Jerusalém, as fronteiras do futuro Estado, o destino dos refugiados, e querem que o acordo seja assinado antes do fim do mandato presidencial de Bush no início de 2009.

Também querem um mecanismo de acompanhamento que monitore os compromissos aceitos por ambas as partes.

Por sua parte, Israel quer um documento menos detalhado, com uma lista de princípios em que se baseará a negociação.

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