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19/12/2007 - 15h14

Mianmar tem sombrias perspectivas após revolta de 2007

TAILNDIA, 19 dez 2007 (AFP) - A "revolta açafrão" de 2007 em Mianmar - antiga Birmânia -, onde monges budistas apoiados pela população desafiaram a ditadura, constituiu um momento decisivo na história do país, mas o endurecimento das medidas do governo militar não dão margem a perspectivas otimistas, afirmam diplomatas.

Ninguém pôde prever o levante, que ocorreu após dois erros dos militares: um brusco aumento dos preços dos combustíveis em 15 de agosto, que atingiu diretamente a população, e a repressão violenta a uma manifestação pacífica de monges em Pakokku (centro), no dia 5 de setembro.

Os generais se viram então confrontados a uma onda de protestos sem precedentes desde 1988, quando morreram 3 mil pessoas. As manifestações diárias culminaram, nos dias 24 e 25 de setembro, em grandes marchas que reuniram dezenas de milhares de monges e um número impressionante de cidadãos comuns.

A repressão foi brutal. Em Rangum, as forças de segurança atiraram com balas reais, deixando 10 mortos, entre eles um jornalista japonês, de acordo

com um balanço oficial feito pelo governo. Contudo, o brasileiro Paulo César Pinheiro, enviado das Nações Unidas, contabilizou 31 mortes e 74 desaparecidos.

De acordo com Anistia Internacional, cerca de 700 "suspeitos" continuam presos, sem contar os 1.150 prisioneiros políticos que já se encontravam detidos antes das manifestações.

Além disso, inúmeros mosteiros foram fechados. "Monges que estudavam em Rangum estão voltando para sua região de origem sem poder participar dos exames, já que temem ser presos", com base em fotografias ou vídeos feitos por agentes durante as manifestações, explicou um dignitário religioso à AFP.

Com o medo instalado, os generais tiveram êxito em promover a idéia de que cada indivíduo estava potencialmente na ilegalidade, o que tornou muito mais difícil uma nova manifestação, indicou um responsável da ONU.

Raiva, desespero e resignação são os sentimentos que dominam hoje a população, traumatizada pela brutal repressão realizada por um regime que também foi abalado pelos protestos, acrescentou.

Ao atacar os monges publicamente, os militares, que se encontram no poder a 45 anos, agrediram um dos pilares de sua legitimidade: a religião budista, majoritária no país.

Os militares, entretanto, tiveram um único motivo de alívio: nenhum grupo étnico minoritário associou-se ao movimento, caracterizando, assim, uma questão entre "Mianmar e os budistas".

Enfraquecido no cenário internacional, o regime foi forçado a abrir mão em algumas questões. O governo autorizou, por exemplo, que um enviado especial da ONU, Ibrahim Gambari, visitasse em duas ocasiões o país, além de nomear um oficial para estabelecer relações com a dirigente da oposição, a vencedora do prêmio Nobel da Paz Aung Suu Kyi, de 62 anos, em prisão domiciliar atualmente.

Entretanto, os militares , invocando a soberania do país, anularam uma declaração de Gambari na cúpula anual regional da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e expulsou o chefe da equipe da ONU em Rangum, Charles Petrie, que havia denunciado a pobreza no país.

Em 3 de dezembro, o regime indicou que de forma alguma iria se associar a Aung San Suu Kyi no processo de redação de uma nova Constituição.

Uma semana mais tarde, na Tailândia, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, advertiu que a comunidade internacional "estava perdendo a paciência".

Por outro lado, caso a questão de Mianmar volte ao Conselho de Segurança da ONU, a China pode utilizar seu direito de veto e bloquear qualquer ação internacional, como já fez no passado.

O endurecimento das sanções ocidentais, principalmente por parte dos Estados Unidos e da União Européia, tem contribuído com para a atual intransigência do regime no poder, estima um diplomata, que acrescenta que "a curto prazo, não há razões para ser otimista".

Além disso, alguns analistas preferem esperar a saída dos atuais generais, esperando que seus sucessores sejam mais próximos da democracia.

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