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30/12/2007 - 18h22

Operação de entrega dos reféns das Farc sofre novo adiamento

CARACAS, 30 dez 2007 (AFP) - A chamada Operação Emmanuel para a entrega na selva colombiana de três reféns nas mãos da guerrilha colombiana foi novamente adiada neste domingo já que as Farc ainda não transmitiram as coordenadas para o ponto de encontro, informou o coordenador da missão, Ramón Rodríguez Chacín.

"O governo colombiano está colaborando, mas nem eles nem nós sabemos qual é o lugar da entrega", afirmou Rodríguez Chacín em uma improvisada coletiva de imprensa em um hotel da capital venezuelana.

Rodríguez Chacín expressou sua certeza de que a operação vai ser realizada em breve. "Tenham fé e certeza que isso vai acontecer tão logo tenhamos as coordendas. É preciso ter paciência".

"No local já estão os helicópteros grandes e facilidades médicas. Tudo está pronto. Mas é preciso entender que a patrulha (das Farc) que se move com os reféns tem que tomar precauções".

"As coisas avançam bem. Devemos ter tranqüilidade e paciência", declarou, momento antes, o chanceler venezuelano Nicolás Maduro, ao ser indagado sobre os sucessivos adiamentos da operação, já que as aeronaves da missão aguardam no aeroporto da cidade colombiana de Villavicencio a ordem para decolar desde sexta-feira.

A frota aérea humanitária, identificada com os emblemas da Cruz Vermelha Internacional, continua a postos e recebendo reforços, com a chegada neste domingo de outros dois helicópteros, que se somaram a dois aparelhos do mesmo tipo e três aviões que transportaram, no sábado, os observadores de sete países.

Outro avião transportará o ex-capitão da marinha de guerra venezuelana, Ramón Rodríguez Chacín, que deve levar as coordenadas do ponto de encontro, as quais somente comunicará à Cruz Vermelha e aos pilotos.

A entrega dos reféns, segundo o plano apresentado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, acontecerá em algum lugar dos cinco departamento do centro e do sudeste da Colômbia, que somam 310.000 km e onde as Farc têm forte presença.

A operação, que além da Cruz Vermelha Internacional, tem o apoio do Brasil, da França, da Suíça e de outros cinco países latino-americanos, deve trazer de volta para a Colômbia a ex-candidata à vice-presidência Clara Rojas, 44 anos, seu filho Emmanuel, 3, e a ex-congressista Consuelo González, 57.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) decidiram entregar os três ao presidente venezuelano Hugo Chávez em desagravo pela decisão do governo de Bogotá de interromper a mediação que até então vinha sendo feita.

A rádio Caracol chegou a informar que Chacín já tinha as coordenadas para o local de encontro na floresta colombiana.

Em Villavicencio se encontram os representantes internacionais e as aeronaves que devem participar da operação para receber Clara Rojas, seu filho Emmanuel, nascido no cativeiro, e Consuelo González. A libertação dos três foi prometida pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

O secretário de imprensa da presidência colombiana, César Mauricio Velásquez, disse à AFP que Bogotá pode ampliar o prazo para a operação em seu território do comboio aéreo enviada da Venezuela com os emblemas do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, que a princípio expira neste domingo às 18h59 locais (21h59 de Brasília).

"O governo da Colômbia manterá a facilitação e está disposto a estender os prazos fixados para a operação aérea em território nacional de aeronaves estrangeiras", destacou.

O governo colombiano também negou que os Estados Unidos estejam fazendo pressão contra a missão humanitária para a entrega dos três reféns da guerrilha das Farc, como denunciou o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"Nós jamais sofremos pressões por parte de governo estrangeiro algum em relação a esta missão humanitária", afirmou o alto comissário para a paz, Luis Carlos Restrepo, falando na cidade de Villavicencio (centro), onde é coordenada a operação para a entrega.

"O governo está atuando de forma autônoma, com pleno convicção de que o caminho que estamos transitando é o correto", acrescentou.

No sábado, Chávez disse que "dentro e fora da Colômbia há quem aposte no fracasso da operação e que o primeiro deles é o governo dos Estados Unidos".

Segundo ele, Washington "tem todo um aparato tecnológico com espiões e aviões que buscam a desestabilização e a guerra". "Eles não querem a paz nem se importam com a vida de ninguém", acrescentou.

Enquanto isso, os familiares dos reféns aguardam ansiosos, mas serenos, em Caracas, o reencontro com os parentes depois de tantos anos.

"Não sabemos como será a operação, mas estamos muito tranqüilos", afirmou Clara González, mãe da ex-candidata à vice e avó de Emmanuel.

Junto a ela estão Patricia e María Fernanda Perdomo, as filhas de Consuelo González.

Já a Federação Internacional dos Comitês Ingrid Betancourt (FICIB) afirmou neste domingo que teme que o exército colombiano lance operações de resgate durante ou depois da libertação dos três reféns das Farc.

"Estamos um pouco preocupados com o que vai acontecer na selva. Esperamos que não haja nenhuma intervenção militar durante o processo de libertação dos reféns, nem depois", declarou o porta-voz da FICIB, Olivier Roubi.

"Sabemos que o exército colombiano está em pé de guerra. Sabemos que estão bombardeando permanentemente desde que Hugo Chávez e a senadora Piedad Córdoba iniciaram sua mediação com as Farc", afirmou ainda.

A FICIB manifestou sua esperança que a libertação dos três reféns "abra os olhos do presidente Alvaro Uribe e do exército para que se fa;ca tudo para uma libertação de Ingrid Betancourt e todos os outros reféns".

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