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02/01/2008 - 14h53

Conflitos podem afetar a decolagem da economia do Quênia

NAIROBI, 2 Jan 2008 (AFP) - Os conflitos que começaram nas eleições gerais de 27 de dezembro no Quênia correm o risco de abalar fortemente a economia do país, que vinha crescendo até agora, e atingir a população, de moradores da periferia a empresários.

Geralmente considerado um país politicamente estável e aberto aos investidores estrangeiros, o Quênia cresceu mais de 3% em 2003 e 6,1% em 2006. Além disso, o governo prevê uma expansão de 6,5% para 2007, segundo o Centro queniano de estatísticas.

Os sangrentos conflitos que deixaram mais de 300 mortos desde as polêmicas eleições gerais de 27 de dezembro mergulharam o país numa crise profunda, com efeitos já impactando a economia nacional.

Em Kibera, a maior favela de Nairobi, estas conseqüências são imediatas. "Não tem mais água nem eletricidade há uma semana, agora não temos nada mais para comer", contou Rose, 24 anos, mãe de duas crianças.

Não muito longe dali, o mercado Toi foi totalmente devastado pelos conflitos. "Havia 3.000 comerciantes aqui, e 3.000 outras pessoas empregadas no mercado. Se vocês contagem suas famílias e os clientes, 200.000 pessoas dependiam deste lugar", explicou o presidente da associação dos comerciantes do mercado, Ezechiel Rema.

Milhões de shillings (a moeda queniana) em alimentos e roupas viraram cinzas durante os conflitos, que incendiaram as instalações dos membros da etnia kikuyu, de onde vem o presidente Mwai Kibaki.

Com os acontecimentos dos dias feriados e os problemas eleitorais, toda a economia do país está parada há uma semana. A escassez de combustível começa a atingir o Quênia, mas também os vizinhos como Uganda.

A maioria das importações dos países da região dos Grandes lagos africanos transita pelo porto queniano de Mombasa, também paralisado.

Diante desta crise, os ambientes de negócios quenianos não escondem suas preocupações. "Estas violências não trazem perspectivadas nada boas para os negócios, porque geram custos extras e desestimulam os investidores", ressaltou em entrevista à imprensa a presidente da associação queniana das empresas, Betty Maina.

"O duro é que a reputação do Quênia ficou manchada (...) Mas ainda é muito cedo para calcular o impacto da crise. Vamos ver como os mercados reagirão na reabertura da Bolsa de Nairobi", comentou um banqueiro estrangeiro que mora no Quênia, mas que não quis se identificar.

Segundo o analista do Standard Chartered da África, Razia Khan, o shilling e os valores quenianos podem sofrer um golpe brutal se a violência não diminuir e se nenhum compromisso político for assumido.

"Apesar de os desempenhos da economia do Quênia terem sido bons, o eleitorado sempre mostrou sua preferência por uma mudança, e talvez uma impaciência na luta contra a corrupção", disse o analista.

A crise ameaça também diretamente o setor de turismo, que vive um momento de plena expansão. As rendas deste setor, gravemente atingidos após os atentados da Al-Qaeda no Quênia em 1998 e 2002 - passaram em seguida de 190 milhões de euros em 2002 a 617 milhões de euros em 2006.

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