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21/02/2008 - 06h11

Dissidencia cubana reage entre a apatia e a esperança ante renúncia de Fidel

HAVANA, 19 Fev 2008 (AFP) - Os principais dirigentes da oposição interna em Cuba (ilegal) reagiram entre a apatia e a esperança de mudanças diante da renúncia de Fidel Castro, anunciada nesta terça-feira em uma mensagem à imprensa.

"Acho que fez o que era mais sensato, pode ser que esteja entrando um pouco de razão e lógica no governo cubano, mas, de qualquer maneira, em um ano e meio sem Fidel, não houve mudanças e agora também não vai haver mudanças", declarou à AFP Vladimiro Roca, porta-voz do movimento Todos Unidos.

Após 49 anos no poder e a cinco dias do Parlamento definir a nova cúpula do governo, Fidel foi taxativo ao afirmar que não aspirará nem aceitará o cargo de Presidente do Conselho de Estado e Comandante-em-Chefe, segundo uma carta assinada de próprio punho e com data de 18 de fevereiro.

No entanto, nada mencionou sobre o cargo de primeiro secretário do Partido Comunista (PCC), que ocupa desde 1965, o que significa uma ampla cota de poder na ilha.

Entrevistado por telefone, Roca atribuiu pouca importância ao fato de Fidel vir a conservar seu cargo no PC cubano.

"O Partido há muito tempo deixou de ser um órgão do poder; aqui, o poder era Fidel Castro, sua pessoa, com todos os cargos (...) era Fidel e sua vontade", critica Roca, filho de um falecido alto dirigente histórico do Partido Comunista.

O opositor democrata-cristão Oswaldo Payá, Prêmio Sakharov-2002 do Parlamento Europeu, disse que o anúncio de Fidel "é algo de muita importância, muita transcendência e se deve pensar no povo".

"O povo de Cuba quer mudanças e mudanças devem significar direitos, reconciliação e dar voz ao povo, uma nova lei eleitoral e os espaços para que esta nova etapa possa ser definida em paz e soberanamente por todos os cubanos sem exclusão", afirmou Payá.

Por sua parte, o social-democrata Manuel Cuesta classificou de "corajosa" a decisão de Fidel.

"Cuba começará a se normalizar como país depois desta decisão que classifico de corajosa por parte do ex-presidente cubano, de olhar a realidade e se dar conta de que Cuba precisa de outro rumo e que Cuba mudou", enfatizou.

Acrescentou que esta renúncia "responde à percepção de que Cuba já não é a mesma (...), é um país diferente, e acho que ele tomou a decisão correta no momento correto, para que os cubanos posam olhar para dentro de si e encaminhar as mudanças de que o país necessita e que o país está exigindo", concluiu.

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