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21/02/2008 - 17h23

Raúl Castro: o grande favorito para substituir Fidel

HAVANA, 21 Fev 2008 (AFP) - Raúl Castro, o homem que tem o apoio incondicional das Forças Armadas e do Partido Comunista, é o grande favorito para a sucessão de seu irmão Fidel na presidência de Cuba, contando como fator contra apenas sua já avançada idade - 76 anos.

Apesar de nada estar completamente resolvido na ilha, tudo parece indicar que Raúl será designado na sessão de instalação do novo Parlamento, domingo, como o presidente do Conselho de Estado (Executivo), depois da renúncia de Fidel Castro, de 81 anos, à postulação devido a problemas de saúde.

O cargo concentra muito poder, pois além de chefe de Estado e Governo, acumula as funções de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas.

"Afortunadamente, conto com quadro da velha guarda", manifestou Fidel em sua carta de renúncia, em que alguns interpretaram como um apoio a Raúl e a um governo formado por membros históricos e pela "geração intermediária", que tem como mais forte expoente o vice-presidente Carlos Lage.

Nas ruas de Havana, as opiniões estão divididas, alguns dando por certo a vitória de Raúl, enquanto outros se inclinam por Lage, médico de 56 anos, pois sua idade e um bom estado de saúde garantiriam uma estabilidade de vários anos.

Lage foi o arquiteto das reformas econômicas dos anos 90, apoiou Fidel em 2003 na contra-reforma da economia, e com pouco carisma e capacidade oratória, gera simpatia por sua modéstia e humildade.

Contudo, Raúl tem a seu favor um expediente favorável: 19 meses no governo provisório devido aos problemas de saúde de Fidel, nos quais mudou sua imagem de enérgico general pela de um pragmático estadista, homem de família e partidário da reforma do socialismo.

"Que ninguém se engane, Raúl é antes de tudo um revolucionário e um fidelista", comentou um diplomata europeu sobre os limites de uma possível reforma em Cuba.

Raúl Castro tem a "legitimidade" de ter acompanhado fielmente seu irmão durante toda a luta até a vitória da revolução em 1959, quando passou a ser o número dois da ilha.

Nesse mesmo ano, foi nomeado Ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR), transformando a guerrilha do Exército Rebelde em uma moderna força que com armamento soviético conquistou vitórias na África e desenvolveu sua própria indústria militar.

A crise econômica que atingiu Cuba após o fim da União Soviética no início dos anos 90 deixou as FAR em uma difícil situação.

Dando mostras de sua capacidade como administrador e homem de negócios, Raúl reduziu as tropas regulares, colocou os soldados para produzir alimentos, desenvolveu uma equipe de "think tanks" para a economia e mandou parte dos generais e coronéis criar uma empresa de turismo, Gaivota, para arrecadar moeda estrangeira.

"Cuidem de Raúl mais do que de mim, porque a Raúl tem mais juventude, mais energia do que eu", disse Fidel aos membros do PCC em 1997, acrescentando que "espero que vocês possam contar com ele por muito mais tempo".

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