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28/02/2008 - 16h16

Espanha de Zapatero: perto ou longe se ser uma Suécia do Mediterrâneo?

MADRI, 28 Fev 2008 (AFP) - Com o casamento entre homossexuais, a aceleração dos trâmites do divórcio, as leis de paridade sexual e contra a violência de gênero, o governo socialista espanhol transformou o modelo da sociedade em um ritmo vertiginoso nos últimos quatro anos.

Tantas reformas liberais, inimagináveis durante a ditadura de Francisco Franco (1939-75) levaram alguns a descrever o país como "a Suécia do Mediterrâneo".

Assim como o país escandinavo sempre se viu como exemplo do liberalismo social, a maioria dos espanhóis parece apreciar estas reformas apesar da feroz oposição dos bispos católicos.

Diante das eleições legislativas de 9 de março, em que a força do presidente do governo José Luis Rodríguez Zapatero será medida, as pesquisas mostram que os eleitores estão menos preocupados com estas políticas e mais com economia, terrorismo e imigração.

"A maior parte da sociedade é profundamente liberal (...) não em um sentido econômico, em um sentido mais moral. É certo que tem setores não gostam delas", mas até muitos católicos praticantes "podem entender que tenha gente com formas de vida distinta a da sua", considera a professora de ciência política Ester García Sánchez, da Universidade Carlos III de Madri.

Uma pesquisa realizada quando se adotou a lei de casamentos homossexuais, em 2005 - a exemplo de Holanda e Bélgica -, mostrava que a maioria dos espanhóis a apoiava diante mesmo com as críticas da igreja Católica a este respeito.

"Eu não acredito que leve a uma comoção social, um grande conflito social entre duas formas de família ou duas formas de Espanha", já que "a sociedade espanhola é muito tolerante em geral", avalia García Sánchez.

Por sua vez, o conservador Partido Popular (PP), forte opositor desta lei, a deixou de lado para se centrar na economia e proclamar a defesa da família.

Seu líder, Mariano Rajoy, prometeu que não abolirá a lei, mas vai mudá-la de nome, já que defende que o "matrimônio" só pode ser feito entre duas pessoas de sexos diferentes, e anulará a parte que autoriza os casais homossexuais a adoptar crianças.

Um estudo recente na Espanha dizia que Barcelona é atualmente o segundo destino mais visitado pelos gays depois de Amsterdã.

Junto com os casamentos, o governo flexibilizou os processos de divórcio. Com a lei, as separações aumentaram em 74% em 2006.

Outra lei estipula que pelo menos 40% das candidaturas de partidos políticos devem ser de mulheres.

Zapatero disse que transformará "a sociedade espanhola para melhor, radicalmente e para sempre" para "fazer justiça às mulheres".

Outro exemplo de que a Espanha está decidida a romper com o passado é a lei de Memória Histórica, que o governo promoveu para indenizar as vítimas da Guerra Civil (1936-1939) e do Franquismo.

Engrossam a lista de medidas sociais a lei contra a violência de gênero, a assinatura da Educação para a Cidadania nas escolas e outras medidas socioeconômicas como o "cheque bebê" de 2.500 euros para estimular os nascimentos.

Se for reeleito, Zapatero prometeu continuar sua missão de "erradicar o machismo, o assédio e a intolerância" com uma lei contra a discriminação.

"Estamos assentando as bases para nos aproximar do modelo sueco, mas estamos muito longe", segundo García Sánchez.

"Agora mesmo, depois dos estatutos aprovados nesta legislatura, esta é uma Espanha que se parece com a Espanha real", define Livia Castillo Pascual, deputada socialista e membro da associação dos direitos dos homossexuais FELGTB.

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