UOL Notícias Notícias
 

29/02/2008 - 13h35

Turquia encerra ofensiva militar no Iraque mas ameaça voltar

BAGDÁ, 29 Fev 2008 (AFP) - A ofensiva militar da Turquia contra os separatistas curdos no norte do Iraque terminou e as unidades envolvidas regressaram aos quartéis, informou nesta sexta-feira o exército turco, que entretanto ameaçou voltar a cruzar a fronteira caso haja necessidade.

"Os objetivos fixados no início da operação foram alcançados e nossas forças regressaram às bases na manhã desta sexta-feira", após oito dias de combates, indicou o Estado Maior turco em comunicado.

Pelo menos 240 guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatista), assim como 27 militares turcos, perderam a vida nos combates, de acordo com o balanço da Turquia sobre a incursão.

A operação, iniciada em 21 de fevereiro, não neutralizou completamente o PKK, mas permitiu "demonstrar que o norte do Iraque não é um santuário", acrescentou.

O exército turco ameaçou, desta forma, cruzar novamente a fronteira, se considerar necessário.

Ancara irá continuar "vigiando de perto" as atividades do PKK e "não permitirá nenhuma ameaça contra a Turquia vinda dessa região", afirma o comunicado.

"A luta contra o terrorismo irá prosseguir com determinação, dentro e fora da Turquia", acrescenta.

Os Estados Unidos aumentaram, na quinta-feira, a pressão para que a Turquia encerrasse a ofensiva, mas o exército turco assegurou que a decisão da retirada foi tomada "sem nenhuma influência externa ou interna" e que algumas tropas já haviam sido retiradas previamente, "de acordo com o plano original".

O presidente George W. Bush e o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, que na quinta esteve em Ancara, pediram que o governo turco encerasse as operações "o mais rápido possível".

"O mais cedo possível", disse Bush à imprensa, ao ser perguntado sobre quando, em sua opinião, o exército turco deveria se retirar do norte do Iraque.

"Os turcos têm de agir, agir rapidamente, alcançar seu objetivo e sair", disse o presidente durante uma coletiva à imprensa em Washington.

Anteriormente, o secretário de Defesa, Robert Gates, em breve visita a Ancara, havia feito um apelo semelhante, mas disse que não recebeu nenhum calendário para a retirada definitiva da Turquia.

Washington, que fornece há vários meses informações em tempo real à Turquia sobre rebeldes no norte do Iraque, preocupa-se com um eventual conflito entre os dois aliados dos Estados Unidos na região, os Turcos e os Curdos do Iraque.

Nesses oito dias, a aviação turca bombardeou 272 alvos, e em terra o exército atacou 517 objetivos, principalmente na zona ao redor da cidade de Zap, onde se localizava um importante posto do PKK, assinala o informe militar.

A Turquia calculava, antes dos ataques, que cerca de 4.000 insurgentes curdos se encontravam nas montanhas do Iraque.

O ministro iraquiano de Relações Exteriores, Hoshyar Zebari, havia anunciado previamente a saída das tropas turcas. "A Turquia encerrou sua operação militar essa manhã e começou a retirar as tropas", disse o chanceler à AFP.

As redes de televisão do país haviam assinalado várias horas antes do anúncio oficial o fim das operações.

Em Zajo, uma cidade iraquiana a 30 km da fronteira, um correspondente da AFP comprovou na manhã desta sexta-feira que "reinava um silêncio total" nas zonas de combate, apesar de aviões turcos de reconhecimento continuarem sobrevoando a região.

Um fotógrafo da AFP avistou na cidade de Cukurca, do lado turco, a volta de uma missão perigosa em pleno inverno, com soldados com uniformes camuflados de branco e claramente cansados.

O PKK, considerado uma organização terrorista pela comunidade internacional, iniciou a insurreição em 1984, no sudeste da Turquia, uma zona de maioria curda. Cerca de 37.000 pessoas já morreram nesse conflito.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host