UOL Notícias Notícias
 

26/03/2008 - 11h17

China impassível às pressões sobre Tibete e Jogos Olímpicos

PEQUIM, 26 Mar 2008 (AFP) - A China reagiu nesta quarta-feira às pressões internacionais em favor de um boicote das cerimônias oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim, após a repressão no Tibete, e acusou o Ocidente de distorcer a realidade da região.

"Temos que levar em consideração o espírito olímpico e não politizar os Jogos", advertiu o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Qin Gang.

Em uma entrevista à imprensa japonesa, o vice-presidente da China, Xi Jinping, fez um pedido similar: "Penso que temos que garantir o êxito, respeitando o princípio da não politização".

Pequim enfrenta nas últimas semanas pedidos para iniciar um diálogo com o Dalai Lama, líder dos budistas tibetanos, a quem acusa de ter organizado os distúrbios na região Himalaia, assim como a convocação de boicote às Olimpíadas por parte de organizações de defesa dos direitos humanos.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, criticado inicialmente por estas organizações por sua passividade diante da situação no Tibete, assumiu a dianteira na terça-feira e citou abertamente a possibilidade de boicotar a cerimônia de abertura dos Jogos, no dia 8 de agosto.

A China também reagiu à vontade dos governantes ocidentais de receber o Dalai Lama, Prêmio Nobel da Paz, que vive exilado na Índia desde a repressão de uma revolta antichinesa no Tibete em 1959.

"O governo chinês se opõe firmemente a qualquer tipo de contato oficial do Dalai Lama em qualquer país", disse Qin Gang.

"A China se opões resolutamente a que o Dalai Lama vá a qualquer país na qualidade que seja para promover o separatismo", acrescentou.

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse na semana pasada que receberia o Dalai Lama na visita deste a Londres em maio.

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, afirmou que o presidente Nicolas Sarkozy deve receber o Dalai Lama, em entrevista publicada nesta quarta-feira pelo jornal Le Parisien-Aujourd'hui.

"Para o povo, (o Dalai) é um líder religioso, é o guia do povo tibetano. Em minha opinião, portanto, é preciso falar com ele, mas isto são sou em quem decide", disse Kouchner.

"Sarkozy decidirá se recebe o Dalai no momento oportuno e em função da evolução da situação", disse porta-voz do governo francês, Luc Chatel.

O porta-voz da chancelaria chinesa pediu à comunidade internacional que demonstre "uma atitude objetiva e imparcial para entender e apoiar as medidas justas e necessárias adotadas pela China para preservar a estabilidade social e garantir a segurança dos bens e das pessoas no Tibete".

"Mais de 100 governos estrangeiros já afirmaram que se trata de uma posição correta", acrescentou Qin Gang.

As autoridades chinas organizaram a partir desta quarta-feira uma viagem ao Tibete de uma dezena de jornalistas estrangeiros, para que possam "visitar os locais afetados pelos motins e entrevistar os feridos", segundo Qin Gang.

A AFP não foi convidada a integrar o grupo de repórteres.

O Dalai Lama pediu que Pequim dê liberdade de ação ao grupo de jornalistas estrangeiros que visita o Tibete acompanhado por autoridades chinesas.

O Prêmio Nobel da Paz, atualmente na capital indiana, declarou que a decisão de deixar os jornalistas entrarem na conturbada região é muito boa, mas pediu isenção na hora de transmitir as notícias.

"Isso deve ser feito com completa liberdade. Só assim vocês terão acesso à verdadeira situação", afirmou.

"Também acho que os correspondentes deveriam conhecer os antecedentes dos eventos que ocorrem lá. Caso contrário, sempre há a possibilidade da informação ser artificial", acrescentou o monge budista de 72 anos.

Os protestos contra Pequim começaram na cidade de Lhasa, no último dia 10, aniversário do fracassado golpe de 1959 contra o regime chinês na região.

As manifestações ficaram violentas nos dias que se seguiram e se espalharam para várias outras parte do país, com as autoridades chinesas acusadas de usar de forte repressão para conter os protestos.

O governo tibetano no exílio afirma que 140 manifestantes foram mortos, enquanto a China reporta apenas um total de 20, 19 delas em Lhasa.

O Dalai Lama mais uma vez reiterou que renunciará como porta-voz do povo tibetano se a violência antichinesa prosseguir.

"Sim. Se a violência continuar e ficar fora de controle, eu renunciarei", advertiu.

A China informou que os jornalistas escolhidos - os primeiros com permissão para entrar no Tibete desde o início dos distúrbios - poderão conversar com as vítimas da violência e mostrar as propriedades destruídas pelos manifestantes, mas não deu garantias de que a cobertura será feita em total liberdade.

Pequim criticou a cobertura dos acontecimentos por parte da imprensa ocidental.

A imprensa chinesa informou nesta quarta-feira que mais de 600 pessoas se entregaram à polícia após os distúrbios em Lhasa, a capital do Tibete, e em outras localidades tibetanas de outras províncias.

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,02
    3,136
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,02
    75.974,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host