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28/03/2008 - 13h52

Coalizão bombardeia radicais no Iraque, Maliki propõe pagar por armas entregues

BASRA, Iraque, 28 Mar 2008 (AFP) - Aviões da coalizão internacional no Iraque atacaram nesta sexta-feira milicianos xiitas em Basra, no sul do país, ao mesmo tempo em que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki propôs pagar a todos os que entregarem armas.

O bombardeio, conduzido antes do amanhecer, marcou a primeira intervenção da coalizão nos combates que opõem desde o dia 25 de março em Basra, 550 km ao sul de Bagdá, milicianos xiitas e forças de segurança iraquianas.

Os enfrentamentos envolvendo o Exército de Mahdi, a milícia do líder radical Moqtada al-Sadr, se estenderam a Bagdá e a outras cidades do Iraque, deixando em quatro dias pelo menos 170 mortos e centenas de feridos, segundo uma nova contagem da AFP.

Um toque de recolher foi imposto até domingo em Bagdá e outras cidades iraquianas para tentar acalmar a situação.

Um porta-voz do Exército britânico, o comandante Tom Holloway, anunciou à AFP que aviões bombardearam grupos de atiradores de foguetes e concentrações de milicianos.

O oficial falava do aeroporto de Basra, onde a Grã-Bretanha mantém um contingente de 4.100 soldados.

"As forças da coalizão intervêm onde a aviação iraquiana não tem capacidade", destacou Holloway, sem especificar se os aviões que participaram do bombardeio a Basra eram americanos ou britânicos.

O comandante Holloway também anunciou que a fronteira com o Irã havia sido fechada pelas tropas da coalizão para "interromper o fluxo de armas em Basra durante as operações".

Um religioso iraniano, o aiatolá Ahmad Jannati, secretário-geral do Conselho dos Guardiões, conclamou nesta sexta-feira as autoridades iraquianas e as milícias xiitas a iniciarem um diálogo para pôr um fim aos confrontos.

Maliki prometeu dinheiro às pessoas que entregarem suas armas às autoridades. A proposta é válida até o dia 8 de abril para as armas "pesadas e médias" disponíveis na segunda maior cidade do Iraque.

De acordo com Sadek al-Rekabi, conselheiro de Maliki, esta proposta vale apenas para os que não participaram dos combates. A idéia é "eliminar" estas armas, mediante compensações financeiras.

Mais cedo, Maliki havia dado um ultimato de 72 horas aos milicianos do Exército de Mahdi envolvidos nos confrontos de Basra para entregarem as armas. Este ultimato expirou na manhã desta sexta-feira, frisou Rekabi à AFP.

Quinta-feira, Moqtada al-Sadr, que contesta a legitimidade do governo de Maliki, havia defendido uma solução "pacífica" para a violência.

Segundo um oficial iraquiano em Basra, os combates diminuíram de intensidade nesta cidade petroleira de 1,2 milhão de habitantes.

O oficial, que não quis ser identificado, se recusou a especular sobre balanço dos quatro dias de confrontos. "Tudo o que podemos dizer é que cada vez mais milicianos estão sendo mortos", afirmou.

Em Bagdá, tiroteios esporádicos foram registrados em Sadr City, feudo de Moqtada al-Sadr, e no bairro xiita de Kadhimiyah.

Nesta sexta-feira, o Parlamento iraquiano se reuniu para discutir os combates. Os deputados da maioria - a Aliança Unificada Iraquiana (AUI, xiitas) e a Aliança Curda - não participaram desta sessão. Já as outras formações, entre elas os partidários de Al-Sadr, estavam presentes.

Cinco obuses de morteiro caíram nos escritórios do vice-presidente do Iraque, Tarek al-Hachemi, na "zona verde" de Bagdá, matando dois guardas e ferindo dois outros.

A "zona verde", o perímetro mais protegido da capital que abriga a maioria dos ministérios iraquianos e das embaixadas, foi alvo de muitos disparos de foguetes e de obuses de morteiro nos últimos dias. Dois americanos morreram nestas explosões.

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