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01/04/2008 - 09h22

Mil mortos em março no Iraque obrigam Maliki e Sadr a buscar a pacificação

BAGDÁ, 1 Abr 2008 (AFP) - O primeiro-ministro do Iraque, Nuri Al Maliki, proibiu nesta terça-feira as prisões arbitrárias de milicianos xiitas, cujo líder, o clérigo radical Moqtada Al Sadr, agradeceu a seus homens por terem obedecido a ordem de cessar os combates, após uma semana de confrontos.

Os sinais de apaziguamento vieram após a divulgação de números que mostram que março foi um dos meses com mais vítimas dos últimos tempos no conflito do Iraque, com mais de mil mortos, quase metade deles nos combates entre milicianos xiitas e tropas oficiais.

"O primeiro-ministro ordenou cessar todo tipo de operação e de prisões arbitrários", afirma um comunicado do governo. No entanto, Maliki ordenou uma "ação enérgica contra qualquer grupo armado que apareça em público".

As instruções contrastam radicalmente com a determinação mostrada há uma semana por Maliki, quando lançou uma operação contra milicianos na grande cidade portuária e petroleira de Basra, 550 km ao sul de Bagdá.

Apesar de não ter citado a milícia de Moqtada Al Sadr, o exército de Mahdi, o premier prometeu na semana passada acabar com os "criminosos" que, segundo ele, aterrorizam os civis na segunda maior cidade do Iraque.

Os combates se alastraram pelo sul do Iraque, de maioria xiita, e os redutos do exército de Mahdi na capital.

Segundo números oficiais, a violência entre milícias xiitas e soldados do governo deixou pelo menos 461 mortos e mais de de 1.000 feridos.

Maliki afirmou ainda nesta terça-feira que a ofensiva de Basra foi um "êxito".

O premier anunciou um programa de seis pontos para normalizar a situação no grande porto petroleiro iraquiano, depois do "êxito do plano de segurança que permitiu restaurar a legalidade e a estabilidade".

Uma das medidas previstas consiste em recrutar em Basra 10.000 soldados adicionais para reforçar o Exército.

Pelo menos 1.082 iraquianos morreram em março em conseqüência da violência no país, o que representa um aumento de 50% em relação a fevereiro, de acordo com números divulgados por vários ministérios esta terça-feira.

As cifras dos ministérios do Interior, Defesa e Saúde, compiladas pela AFP, indicam que 925 civis morreram em conseqüência da violência em março, assim como 54 militares e 103 policiais. O número de feridos foi de 1.630.

O mês de fevereiro registrou a morte de 721 iraquianos, uma alta de 33% na comparação com janeiro, invertendo a tendência de queda no número de vítimas no semestre anterior.

Para acabar com o banho de sangue, o clérigo radical Al Sadr pediu no domingo a seus homens que se retirassem das ruas e acabassem com os combates.

Nesta terça-feira agradeceu a seus comandados por terem obedecido a ordem.

Na segunda-feira, o chefe de gabinete de Moqtada Al Sadr em Basra, Harith Al Athari, advertira contra o prosseguimento da ofensiva lançada contra a milícia pelas forças de segurança.

No entanto, nesta terça-feira não se viam milicianos em Basra, em Cidade Sadr (reduto da poderosa organização na zona nordeste de Bagdá), nem em Kadhimiyah, outro grande bairro xiita da capital iraquiana.

As autoridades proibiram a circulação de automóveis em Cidade Sadr, mas a região é controlado pelo exército de Mahdi e as forças do governo não tem como aplicar a determinação.

Basra não tem mais a proibição durante o dia, mas o toque de recolher noturno permanece em vigor.

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