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10/04/2008 - 14h45

Dez milhões de nepaleses elegem assembléia para abolir Monarquia

KATMANDU, 10 Abr 2008 (AFP) - Dez milhões de nepaleses elegeram nesta quinta-feira uma Assembléia Constituinte para abolir a Monarquia e proclamar a República, com a esperança de consolidar a paz assinada há um ano e meio com a guerilha maoísta.

"O povo demonstrou um grande entusiasmo ao votar", comemorou Kieran Dwyer, porta-voz da Missão das Nações Unidas no Nepal, após o fechamento das 10.000 seções eleitorais.

O chefe da comissão eleitoral, Bhojraj Pokhrel, estimou "a taxa de participação em cerca de 60%" dos 17,6 milhões de eleitores.

Entre os primeiros a votar a 100 km de Katmandu, o líder maoísta, Prachanda "o Temível", que quer ser presidente da República, declarou à AFP que "os sonhos de milhares de mártires haviam se realizado".

"Estamos prestes de escrever a história e isso é fantástico", disse, aclamado pela multidão.

Em Patan, próximo a Katmandu, centenas de homens e mulheres de todas as idades e condições ficaram horas na fila diante das tendas que serviam de locais de votação, entre os templos budistas e hinduístas medievais considerados patrimônio mundial pela Unesco.

"É um dia histórico e esperamos a paz", disse sorridente Prasanna Shrestha, uma jovem contadora.

"Estas eleições vão nos dar a paz e a democracia. Não queremos mais a Monarquia", afirmou Julum Lal Chitrakar, 67 anos, que escolheu o partido dos maoístas, considerados "terroristas" pelos Estados Unidos.

A votação, a primeira desde 1999, elegerá os 610 deputados que redigirão uma nova Constituição neste estratégico país entre a Índia e a China.

Independentemente dos resultados, a Assembléia deve abolir a única monarquia hinduísta do mundo e proclamar uma república federal, segundo o acordo de dezembro entre sete partidos e a guerrilha maoísta, que assinaram a paz em 21 de novembro de 2006.

Eles governam em conjunto desde abril de 2007.

Um cenário como esse era inimaginável há dois anos, quando a classe política se aliou aos insurgentes de extrema-esquerda nas manifestações da primavera de 2006, forçando o rei Gyanendra a renunciar aos seus poderes absolutos.

Desde então, este herdeiro de 239 anos de dinastia dos Shah perdeu todas as suas prerrogativas e, nesta quinta-feira, passou a ser invisível.

Mas os maoístas acusaram os monarquistas, principalmente os generais, de "preparar um golpe de Estado" e de estar por trás dos recentes pequenos atentados.

A jornada de votação foi calma, apesar de "incidentes em algumas circunscrições", segundo a ONU.

Um candidato independente, um militante e um desconhecido foram mortos no sul e 15 maoístas armados com granadas foram presos após terem incendiado um local de votação no oeste.

Pelo menos 135.OOO policiais foram mobilizados, auxiliando 800 observadores internacionais, dos quais 120 da União Européia.

Estas eleições marcam o auge de un processo de paz que pôs fim a uma década de insurreição maoísta, que deixou pelo menos 13.000 mortos e arruinou a economia deste país.

O International Crisis Group teme "um período pós-eleitoral difícil e perigoso", já que um partido não deverá obter a maioria.

Pesquisas mostram que 50% dos nepaleses permanecem ligados a uma "monarquia simbólica". A maioria vê em Gyanendra a encarnação do Deus Vishnou, mesmo que "odeie" este autocrata que ascendeu ao trono devido ao misterioso massacre do rei anterior Birendra e de sua família no dia 1º de junho de 2001.

Mas "qual seja o governante, ele deverá promover o renascimento da economia, e nada será feito sem a paz", declarou à AFP Rajendra Mulmi, presidente da Associação des Organizações da Juventude.

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