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18/04/2008 - 18h55

Jimmy Carter sugere trégua ao Hamas

DAMASCO, 18 Abr 2008 (AFP) - O ex-presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, manteve nesta sexta-feira em Damasco uma prolongada reunião de mais de quatro horas com o chefe no exílio do movimento islamita palestino Hamas, Jaled Mechaal, apesar das críticas dos Estados Unidos e Israel.

Um dirigente do Hamas, Mohammed Nazzal, explicou aos jornalistas que "Carter sugeriu que o Hamas páre o lançamento de foguetes contra Israel". "Apoiamos a trégua, mas Israel deve fazê-lo também", acrescentou, referindo-se aos ataques do exército israelense que, por exemplo, causaram 18 mortos na quarta-feira.

Carter não fez declarações ao finalizar a reunião, mas Nazzal precisou que assessores do ex-presidente americano e dirigentes do Hamas continuarão negociando agora à noite "os detalles sobre o preço da libertação do soldado (israelense) capturado (Girad Shalit).

O ministro israelense Eli Yishai assegurou estar disposto a se encontrar com Mechaal para negociar a libertação de presos palestinos, como publicou hoje o jornal Haaretz.

Gilad Shalit foi capturado durante um ataque de um comando palestino a um posto militar israelense na fronteira com a Faixa de Gaza, em junho de 2006.

Carter, que efetua uma viagem ao Oriente Médio para apoiar esforços de paz, já se encontrou com o presidente sírio Bachar Al-Assad, com quem conversou sobre as "relações entre a Síria e os Estados Unidos e o processo de paz".

De acordo com a agência oficial Sana, Assad e Carter expressaram apoio "ao diálogo para chegar a soluções políticas", considerando importante "mobilizar esforços para reduzir o sofrimento dos palestinos e encerrar o bloqueio" imposto a Gaza.

Israel e os Estados Unidos, que consideram o Hamas uma organização terrorista, haviam criticado os planos de encontro de Jimmy Carter com o Hamas.

A chefe da diplomacia americana Condoleezza Rice declarou não ver motivo nos encontros, classificando o Hamas de "principal obstáculo à paz", enquanto a Casa Branca assinalou que o ex-presidente, prêmio Nobel da paz em 2002, agia a título pessoal.

Um alto funcionário do ministério israelense da Defesa, Amos Gilad, também criticou o encontro.

O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, após vencer num pleito as forças fiéis ao grupo rival Fatah do presidente palestino Mahmoud Abbas. O Hamas não reconhece a existência de Israel, preconiza a luta armada para libertar os territórios ocupados e é acusado de realizar atentados mortíferos contra o Estado Hebreu.

No início da viagem, domingo, em Israel, Carter, que foi arquiteto do tratado de paz entre Egito e Israel em 1979, afirmou não agir como mediador, estando movido pelo pedido de um diálogo com o Hamas.

O ex-presidente americano preconizou igualmente a abertura de um diálogo com a Síria, julgando difícil concluir uma paz na região sem este país.

"Jimmy Carter é um político experiente e razoável. Ele encontra Damasco a disposição para a paz no Oriente Médio", felicitou o jornal sírio al-Watan, próximo do poder.

Desde 2003, as relações sírio-americanas estão tensas. Os Estados Unidos, que acusam a Síria de querer desestabilizar os seus vizinhos libaneses e iraquianos, impuseram, em 2004, sanções contra Damasco, ampliadas em 2006.

Washington procura isolar a Síria, a que acusa também de bloquear os esforços de paz na região, apoiando os grupos radicais palestinos como o Hamas.

Após a Síria, Carter deve visitar a Jordânia e a Arábia Saudita.

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