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21/04/2008 - 16h22

Líder de Hamas desmente Carter e diz que não se reconciliará com Israel

DAMASCO, 21 Abr 2008 (AFP) - O movimento palestino Hamas está disposto a aceitar um Estado palestino com as fronteiras de 1967, mas "não reconhecerá Israel", afirmou nesta segunda-feira, em Damasco, o chefe da organização, Khaled Mechaal, desmentindo as afirmações do ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz Jimmy Carter.

"Aceitamos um Estado palestino nas fronteiras de 4 de junho de 1967 com Jerusalém como capital, um Estado soberano sem as colônias (israelenses), com o direito de regresso dos refugiados palestinos, mas sem o reconhecimento de Israel", afirmou o líder no exílio, em uma coletiva de imprensa.

Líder do birô político do movimento islamita, Mechaal se reuniu na sexta e no sábado com Carter na capital síria.

Anteriormente, Carter afirmou que o Hamas estava disposto a reconhecer o direito de Israel de existir se um acordo de paz fosse concluído e aprovado por referendo palestino.

"Os líderes do Hamas indicaram que estariam dispostos a aceitar um Estado hebreu nas fronteiras de 1967 caso os palestinos aprovem e aceitem o direito de Israel de viver em paz, como vizinho", afirmou Carter em uma entrevista coletiva à imprensa.

O ex-presidente norte-americano também declarou que o Hamas poderia reconhecer um acordo de paz negociado pelo primeiro-ministro israelense Ehud Olmert e pelo presidente palestino Mahmud Abbas, com a condição "de que seja submetido à aprovação dos palestinos, inclusive se o Hamas não concordar com alguns termos deste acordo".

Numa reação imediata às declarações de Carter, a secretária de Estado americana Condoleezza Rice afirmou que o Hamas deve renunciar à violência e pôr fim a seus disparos de foguetes contra Israel para demonstrar que está disposto a fazer a paz.

"O que o Hamas precisa fazer está muito claro: renunciar à violência seria um bom passo para mostrar que alguém quer realmente a paz", declarou Rice um grupo de jornalistas depois de se reunir com seus colegas das monarquias do Golfo, do Egito, da Jordânie e do Iraque em Manama, capital de Bahrein.

Carter, que efetua uma viagem ao Oriente Médio para apoiar esforços de paz, já se encontrou com o presidente sírio Bachar Al-Assad, com quem conversou sobre as "relações entre a Síria e os Estados Unidos e o processo de paz".

De acordo com a agência oficial Sana, Assad e Carter expressaram apoio "ao diálogo para chegar a soluções políticas", considerando importante "mobilizar esforços para reduzir o sofrimento dos palestinos e encerrar o bloqueio" imposto a Gaza.

O Hamas controla a Faixa de Gaza desde junho de 2007, após vencer num pleito as forças fiéis ao grupo rival Fatah do presidente palestino Mahmoud Abbas. O Hamas não reconhece a existência de Israel, preconiza a luta armada para libertar os territórios ocupados e é acusado de realizar atentados mortíferos contra o Estado Hebreu.

Israel e Estados Unidos, que consideram o movimento Hamas uma organização terrorista, criticaram duramente o encontro.

No início da viagem, Israel, Carter, que foi arquiteto do tratado de paz entre Egito e Israel em 1979, afirmou não agir como mediador, estando movido pelo pedido de um diálogo com o Hamas.

O ex-presidente americano preconizou igualmente a abertura de um diálogo com a Síria, julgando difícil concluir uma paz na região sem este país.

"Jimmy Carter é um político experiente e razoável. Ele encontra Damasco a disposição para a paz no Oriente Médio", felicitou o jornal sírio al-Watan, próximo do poder.

Os Estados Unidos insistem em dizer que Carter está agindo a título pessoal e classificou essas reuniões com o Hamas como inúteis.

A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, disse claramente que Carter não representa Washington, ao se referir aos encontros do ex-presidente com os líderes do Hamas.

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