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08/06/2008 - 11h58

Críticas israelenses a vice-primeiro-ministro que ameaçou atacar Irã

JERUSALÉM, 8 Jun 2008 (AFP) - O vice-primeiro-ministro israelense, Shaul Mofaz, se encontra no olho do furacão no país por ter ameaçado atacar o Irã e é acusado por membros do alto escalão do governo de explorar a questão em proveito das suas ambições políticas.

"Essas palavras são irresponsáveis e não representam a posição do governo", declarou um alto funcionário do ministério de Defesa, que não se identificou, citado pela rádio pública.

"O programa nuclear iraniano diz respeito a toda comunidade internacional e não apenas a Israel. Contudo, essas declarações possuem o efeito de diminuir a atenção para a ameaça" iraniana e atraí-la para Israel, acrescentou a mesma fonte.

O vice-ministro de Defesa, o trabalhista Matan Vilnai, foi mais longe, denunciando as declarações como "o uso cínico de Mofaz dos interresses estratégicos de Israel com objetivos de política interior".

"Mofaz perde uma boa oportunidade para ficar quieto. Todos em Israel entendem os motivos eleitorais mas esse tipo de declaração coloca Israel em uma situação incômoda no cenário internacional", disse à AFP uma fonte próxima do ministério de Relações Exteriores.

"Se o Irã prosseguir com seu programa de armamento nuclear, o atacaremos", disse na sexta-feira Mofaz, que também é ministro de Transportes e ocupa a direção do Kadima, o partido de centro liderado pelo premier Ehud Olmert, atualmente envolvido em um novo caso de corrupção.

Apesar de assinalar que esse ataque só poderia ocorrer com o apoio dos Estados Unidos, o ministro destacou que "as outras opções estão desaparecendo. As sanções se demonstram inoperantes. Não teremos outra escolha que atacar o Irã para deter seu programa nuclear".

Por sua vez, a imprensa do Estado Hebreu condenou unanimemente as palavras do ex-chefe de Estado maior e ex-ministro da Defesa entre 2002 e 2006, e atualmente responsável pela cooperação estratégica com os Estados Unidos.

"Mofaz conseguiu com suas palavras causar um aumento sem precedentes do preço do petróleo, apesar de nem sequer ter começado a batalha pelas primárias da Kadima. Isso dá medo, o quê será que ele estará preparando para quando começar a campanha eleitoral? Uma guerra mundial?", ironizou o jornal Haaretz.

Vários deputados da direita também acusaram o político de "irresponsável".

O Irã protestou no sábado diante das Nações Unidas pelas palavras do vice-primeiro-ministro israelense, enviando uma carta ao secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, e a ao Conselho de Segurança.

Na terça-feira passada, durante sua visita a Washington, Olmert declarou que as ambições nucleares do Irã deveriam ser cortadas "de todas as maneiras".

Apesar das sanções da ONU, o Irã continua se negando a suspender suas atividades de enriquecimento de urânio, que permitem produzir tanto combustível nuclear para uso civil como uma bomba atômica.

Israel considera a República Islâmica o pior inimigo. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por sua vez, pediu que se "apagasse Israel do mapa" e várias vezes assinalou que o Estado Hebreu está condenado a desaparecer.

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