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01/08/2008 - 11h46

O 'acordo secreto' entre Karadzic e Holbrooke é uma velha controvérsia

BELGRADO, 1 Ago 2008 (AFP) - A existência de um acordo que teria sido concluído entre o ex-negociador norte-americano Richard Holbrooke e Radovan Karadzic, garantindo ao ex-líder dos sérvios da Bósnia que não seria julgado pela justiça internacional caso se retirasse da vida pública há anos suscita controvérsia.

Durante o seu primeiro comparecimento na quinta-feira diante do Tribunal Penal International (TPI) para a ex-Iugoslávia, e depois em uma carta divulgada nesta sexta-feira, Radovan Karadzic afirmou que Richard Holbrooke havia prometido a ele que não seria "julgado" pelo TPI.

"Em 1996, em nome dos Estados Unidos, Richard Holbrooke fez uma oferta aos ministros e homens de Estado que eram meus representantes autorizados, comprometendo-se em nome dos Estados Unidos a fazer com que eu não fosse julgado por este Tribunal" (o TPI), disse Radovan Karadzic em seu documento.

Esta não é a primeira vez que um "acordo" entre Radovan Karadzic e Richard Holbrooke é mencionado. O ex-negociador norte-americano desmentiu novamente sua existência na quinta-feira à CNN.

Esse acordo, caso exista, permitiria entender por que Radovan Karadzic, acusado pelo TPI desde 1995, havia conseguido escapar da justiça internacional durante tanto tempo.

Em 2004, a esposa de Radovan Karadzic, Ljiljana Zelen-Karadzic, havia afirmado que tal documento existia.

Para Florence Hartmann, antiga conselheira e porta-voz da ex-procuradora do TPI, Carle Del Ponte, Richard Holbrooke "desmente, como sempre fez" e Radovan Karadzic "por sua vez, não apresenta prova alguma. Então, é a palavra de um contra a do outro".

"Jamais soubemos a verdade, mas os 13 anos de fuga de Karadzic suscitam a suspeita", prosseguiu Florence Hartmann, revelando que os especialistas não descartam "a possibilidade de uma prova aparecer e ser utilizada como moeda de troca".

A família de Karadzic "sempre disse que tinha elementos de prova do acordo. Veremos o que Karadzic fará", concluiu Florence Hartmann.

Em uma entrevista divulgada no dia 24 de julho pelo jornal sérvio Vecernje Novosti, após a prisão de Radovan Karadzic, o homem que foi ministro das Relações Exteriores da Republika Srpska (RS, entidade sérvia na Bósnia) até janeiro de 1998, Aleksa Buha, afirmou que existiam "dois acordos concluídos oralmente" prevendo a impunidade do líder dos sérvios da Bósnia em troca de sua saída da vida pública.

O primeiro "foi concluído com Holbrooke em junho de 1996, Holbrooke havia me confirmado pessoalmente. Ele me mostrou um papel afirmando que continha a decisão assinada de Radovan Karadzic", declarou Buha.

"O acordo foi confirmado um ano depois durante um encontro em Banja Luka entre o presidente (da RS) na época Biljana Plavsic e a secretária de Estado Madeleine Albright, que novamente confirmou que Karadzic não seria julgado se desaparecesse", disse Buha.

Richard Holbrooke declarou na quinta-feira à CNN que havia obtido de Karadzic o compromisso de sua saída da vida política em julho de 1996.

"Negociei um acordo muito difícil. Ele devia se retirar imediatamente de seus dois postos de presidente da parte sérvia da Bósnia e de líder do seu partido. E ele o fez", declarou Holbrooke.

"Mas quando desapareceu, difundiu uma mensagem de desinformação (fingindo) que eu havia feito um acordo com ele (segundo o qual) se desaparecesse não o perseguiríamos. Era uma afirmação totalmente falsa".

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