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10/08/2008 - 10h03

Bolívia inicia seu referendo para decidir o destino de Evo Morales

LA PAZ, 10 Ago 2008 (AFP) - O referendo revogatório na Bolívia, no qual o presidente Evo Morales e oito governadores terão seus cargo submetidos à avaliação popular, teve início neste domingo num clima tranqüilo apesar do clima de tensão que o cerca.

Morales tem confiança que vai ganhar o referendo revogatório deste domingo, com o apoio recebido em regiões andinas e vales do país, embora seja rejeitado em zonas da Amazônia e nos planaltos controlados pela oposição.

"Não tenho medo do povo, é melhor se submeter ao povo do que a certos interesses internos e externos", afirmou neste sábado o presidente, em entrevista à imprensa em La Paz, referindo-se à oposição política e empresarial de direita e aos Estados Unidos, país com o qual mantém constantes atritos.

Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia em 183 anos, está seguro de que colherá o que semeou em dois anos e meio de gestão: nacionalizou os recursos em hidrocarbonetos e empresas petrolíferas da nação e se propõe a distribuir as terras improdutivas que estão nas mãos de ricos latifundiários dos altiplanos e da Amazônia para camponeses pobres, seus fiéis eleitores.

Segundo ele, em algumas pesquisas ele tem até 79% dos votos a seu favor, embora sondagens privadas locais indiquem percentual de 54% de apoio.

O chefe de Estado será removido do cargo se os votos contra ele passarem de 53,74%, o mesmo percentual que obteve nas eleições de 2005.

Morales goza de amplo apoio, principalmente, nas regiões andinas de La Paz (Leste), Oruro (sul) e Potosí (sul), nas áreas rurais dos vales de Cochabamba (centro) e Chuquisaca (sudeste) e em menor medida na amazônica Pando (norte), receptora de uma forte migração aymara.

No entanto, as expectativas do presidente não são boas na região rica em gás de Tarija, na agroindustrial Santa Cruz e na pecuarista Beni, além das cidades de Sucre e Cochabamba, que resistem ao modelo de governo proposto por Morales.

Os movimentos civis nessas regiões promovem sem cessar uma formação de governos autônomos de cunho liberal.

Santa Cruz, Beni, Pando e Tarija já aprovaram seus estatutos de autonomia em referendos populares entre maio e junho e vêem estas propostas como únicas vias para frear o partido governista.

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