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27/10/2008 - 16h10

Um dos policias que matou Jean Charles admite erros na operação

LONDRES, 27 Out 2008 (AFP) - Um dos dois policiais britânicos que mataram o brasileiro Jean Charles de Menezes em 22 de julho de 2005 em Londres admitiu nesta segunda-feira que os erros cometidos levaram à morte de um inocente.

  • AFP

    Em Londres, polícia guarda 'tributo' ao braileiro. Na semana passada, policial que matou Jean Charles conta, em pranto, como disparou

O policial, identificado apenas como C12, testemunhou ante a corte do inquérito público aberto na capital londrina para julgar o caso do jovem eletricista que foi morto ao ser confundido com um terrorista na estação de metrô de Stockwell, sul de Londres.

O oficial pediu desculpas na corte por não ter indicado a seus superiores - que se encontravam num centro de operação da Scotland Yard - que ele estava a pouca distância de Jean Charles quando o brasileiro desceu do ônibus perto da estaçao de Stockwell.

Explicou que poderia ter detido o suspeito antes que entrasse na estação ao invés de segui-lo até o vagão do metrô, onde ele e seu colega dispararam contra Jean Charles.

Bombardeado pelas perguntas do advogado da família Menezes, Michael Mansfield, o oficial tenta se justificar por ter disparado contra um inocente.

Insistiu que chegou a gritar advertências para Jean Charles, apesar de seus colegas e as pessoas que estavam perto, na ocasião, alegarem não ter ouvido qualquer grito de alerta, apenas disparos.

C12 assegurou na corte que havia levantado sua arma para o brasileiro e avisou que era "policial armado" antes de disparar.

O advogado da família Menezes também acusou C12 de "exagerar consideravelmente" seu relato para persuadir a corte de que ele estava totalmente convencido de que o brasileiro era um camicase que estava a ponto de detonar uma bomba.

Na sexta-feira, em sua primeira aparição ante o tribunal, o agente C12 revelou, chorando, como ficou cara a cara com a vítima, que acreditava ser um terrorista suicida pronto para atacar.

Quando soube, no dia seguinte, que ocorrera um erro de identidade e que um inocente havia sido morto, o policial ficou "incrédulo e abalado" e profundamente "triste e confuso".

O agente disse que estava certo de que matar Jean Charles era fundamental para se evitar um ataque suicida.

C12 revelou à Justiça, em audiência assistida pela mãe da vítima, que o fato de ter matado um inocente "será algo que levará para o resto de seus dias".

O policial manifestou suas "sinceras condolências e todo o meu respeito" à família do eletricista mineiro.

O outro oficial da Scotland Yard, chamado de CO19, especialista da unidade de armas de fogo, contou que seguiu Jean Charles até a estação Stockwell e ficou diante do eletricista.

C12 disse que Jean Charles se levantou do banco do vagão do metrô e continuou andando, mesmo após ele gritar "policial armado", enquanto apontava a pistola, o que o levou a abrir fogo.

"Continuou andando em minha direção. Foi exatamente naquele momento que pensei que ia detonar (um suposto cinturão de explosivos), que ia matar a todos, e decidi agir para evitar isto".

Chorando muito, o policial disse que atirou três vezes: "precisava estar certo de que morreria, de que não seria mais uma ameaça, que ele não poderia explodir a bomba".

A audiência foi suspensa brevemente para permitir que o agente, muito emocionado, recuperasse o controle.

Finalmente, o agente revelou que após os disparos, ficou "coberto do sangue" de Jean Charles.

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