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05/12/2008 - 13h43

Chávez faz 10 anos como presidente, determinado a ficar no poder até 2013

CARACAS, 5 dez 2008 (AFP) - Dez anos depois de vencer as eleições presidenciais, Hugo Chávez conseguiu viar um polêmico líder regional, um chefe de Estado que desafia as grandes potências e que deseja de qualquer maneira continuar no poder até 2013.

Populista, verborrágico e plenamente convencido de que sua revolução bolivariana está apenas dando os primeiros passos, Chávez, de 54 anos, comemora neste 6 de dezembro sua primeira década no poder, concentrado em uma emenda constitucional, a ser votada em referendo, que se aprovada permtirá que ele se reeleja mais uma vez.

"Estou certo de que, independentemente do que digam meus adversários, devo permanecer mais alguns anos à frente do governo da Venezuela", explicou o presidente.

Para seus partidários, Chávez é um líder imprescindível. Para seus opositores, no entanto, é um governante que deseja se eternizar no poder, não suporta críticas e conseguiu dividir profundamente a sociedade venezuelana entre os que o apóiam e os que gostariam de vê-lo longe do poder.

"O que começou em 1998 como um projeto de mudança social terminou em uma única proposta: a reeleição indefinida. Todas as promessas se concentraram em uma só palavra: Chávez. Ele é o povo, a revolução e agora quer ser também o tempo", declarou à AFP Alberto Barrera Tyszka, co-autor do livro "Chávez sem uniforme".

"Propusemos uma emenda que será submetida a referendo para que o povo decida. Não temos porque renunciar a um líder" como Chávez, argumentou por sua vez Earle Herrera, deputado e membro da Assembléia Nacional Constituinte que elaborou a Constituição de 1999.

Desde sua chegada à presidência, Chávez parece estar eternamente em campanha. As eleições no país se repetiram praticamente uma vez por ano desde 1998, e em cada uma delas ele centralizava mais o poder, fortalecendo-se.

Até dezembro de 2007, quando um projeto de reforma constitucional que também incluía a reeleição indefinida foi rejeitado em um referendo popular, sua primeira derrota eleitoral em nove anos.

Quase um ano depois, no dia 23 de novembro, o chavismo obteve uma vitória ambígua nas eleições regionais - seus candidatos venceram na maioria das regiões, mas a oposição ficou com a parte mais rica do país, responsável por 70% do PIB, incluindo a prefeitura da capital, Caracas.

Uma semana depois, Chávez anunciou o lançamento da emenda sobre a reeleição para 2009.

"Se Chávez esperar mais, a crise econômica pode gerar um ambiente muito negativo e sua margem de manobra ficará muito restrita", explicou o analista Luis Vicente León, do instituto de pesquisas Datanálisis, que considera que esta emenda conta atualmente com um escasso apoio popular.

Dez anos depois da primeira vitória presidencial de Chávez nas urnas, seu partido governa a maioria dos estados e cidades, além de controlar uma Assembléia Nacional praticamente homogênea. Além disso, o presidente conta uma popularidade de 57%, segundo dados recentes da Datanálisis, e não há líder da oposição atualmente capaz de pesar para o outro lado.

"Chávez acredita que depois dele não há ninguém, e não é verdade. Este país vai seguir adiante com ou sem ele. Ele tem o tempo e regras a serem respeitadas, que estão na Constituição e não podem ser modificadas da noite para o dia", afirmou Ismael García, deputado do Partido Podemos - aliado do presidente até 2007, quando passou a atuar como oposição.

Graças ao dinheiro obtido com as vastas reservas de petróleo do país, Chávez mantém desde 1998 seu sólido apoio junto às classes populares graças a abrangentes programas assistencialistas - enquanto ameaça aqueles que não o apoiarem com o corte de verbas federais, como o fez pouco antes das recentes eleições regionais.

A campanha para a emenda constitucional, batizada "Uh ah, Chávez no se va", já está nas ruas da Venezuela neste dezembro de 2008 e pretende conseguir o apoio das classes populares para triunfar, embora o mito de que os pobres votam em Chávez venha sendo motivo de dúvidas.

"Sou um soldado às ordens do povo, meu chefe se chama povo da Venezuela", garantiiu o presidente, consciente de que essa emenda é sua última oportunidade para continuar governando.

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