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08/12/2008 - 15h25

Khaled Sheikh Mohammed: ex-número três da al-Qaeda

WASHINGTON, 8 dez 2008 (AFP) - Khaled Sheikh Mohammed, que teria realizado ou planejado dezenas de atentados, entre eles o 11 de setembro, era considerado o número três da rede terrorista al-Qaeda antes de sua prisão em maio de 2003 no Paquistão.

Esse suposto cérebro dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e seus quatro cúmplices presumíveis vão confessar a autoria dos ataques, anunciou nesta segunda-feira o juiz que preside a audiência, em um tribunal militar da base naval de Guantánamo, em Cuba.

O juiz Stephen Henley leu nesta segunda-feira uma declaração expressando a vontade de Khaled Sheikh Mohammed e os outros quatro réus de confessar a autoria dos atentados que deixaram quase 3.000 mortos em Nova York e Washington.

"Os acusados decidiram retirar todos seus recursos e confessar", declarou o juiz Henley.

Com cerca de 40 anos de idade, Mohammed passou a infância no Kuwait, mas afirma ser de origem paquistanesa, segundo o relatório da Comissão de investigação americana divulgado em 2004, que se baseia em documentos do serviço de inteligência e em registros de interrogatórios.

Após os anos escolares, mudou-se para os Estados Unidos, onde obteve em 1986 um diploma de engenheiro na Universidade Agrícola e Técnica do Estado da Carolina do Norte.

Em seguida, afirma ter cumprido uma formação militar em Peshawar (Paquistão) ao lado de islamitas afegãos, tendo participado depois, durante alguns meses, da guerra no Afeganistão contra os soviéticos no fim dos anos 1980.

Teria também trabalhado em uma empresa de eletrônica que fornecia aparelhos de comunicação aos grupos afegãos, antes de ir combater por algum tempo na Bósnia em 1992.

Após uma breve permanência no Paquistão, mudou-se com a família para o Qatar, onde trabalhou como engenheiro no Ministério qatariano das Águas e da Eletricidade.

Teria participado do atentado cometido em 1993 contra o World Trade Center em Nova York e, em 1994, de um plano para fazer explodir 12 aviões de passageiros americanos sobre o Pacífico, frustrado pelas autoridades americanas.

Em 1996, deixou o Qatar, consciente de que as autoridades americanas estavam em seu encalço, e se refugiou no Afeganistão. Foi então que se encontrou com Osama bin Laden durante uma reunião organizada na região montanhosa de Tora Bora, na fronteira com o Paquistão.

Os dois homens se conheciam desde a campanha contra os soviéticos por volta de 1980, mas na época ainda não eram muito próximos. Em um de seus reencontros, Sheikh Mohammed teria apresentado um plano de atentado envolvendo aviões, que se tornaria finalmente a operação do 11 de setembro.

De acordo com o depoimento dado, ele teria começado a trabalhar para a al-Qaeda apenas depois dos atentados em 1998 contra as embaixadas americanas em Nairóbi e Dar Es Salaam, que o convenceram de que Bin Laden tinha verdadeiramente a intenção de atacar os Estados Unidos.

No final de 1998 e início de 1999, Osama bin Laden lhe teria dado sinal verde para os atentados de 11 de setembro. Khaled Sheikh Mohammed teria então aceitado viver em Kandahar, no Afeganistão, para trabalhar diretamente com a al-Qaeda, tornando-se assim o número três da rede.

Ele "parece ter conquistado popularidade entre os membros da al-Qaeda. Era considerado um dirigente eficaz, sobretudo após o 11 de setembro", revela o relatório da comissão do 11 de setembro, que ressalta sua imaginação, suas aptidões técnicas e seu talento de organizador.

Segundo uma declaração divulgada antes pelo Pentágono, Sheikh Mohammed reconheceu sua total responsabilidade em 31 ataques ou tentativas de atos terroristas, entre elas as tentativas de assassinato de ex-presidentes americanos Bill Clinton e Jimmy Carter e do Papa João Paulo II durante uma viagem do Sumo Pontífice às Filipinas.

No entanto, de acordo com especialistas em informação, não é possível que um único homem tenha estado no centro de todos esses complôs. Poderia assumir a culpa para proteger "jihadistas" em liberdade.

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