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09/12/2008 - 17h50

Irã: críticas a Ahmadinejad ofuscaram questão nuclear em 2008

TEERÃ, 7 dez 2008 (AFP) - O presidente ultraconservador iraniano, Mahmud Ahmadinejad, enfrentou em 2008 um clima hostil a sua política de governo, considerada responsável pela degradação da situação econômica nacional e que relegou a crise sobre a questão nuclear.

A eleição presidencial prevista para junho de 2009 exacerbou as divisões entre os conservadores. Esses últimos reforçaram sua influência no "Majlis" (o Parlamento) nas eleições legislativas de março de 2008, mas sob a bandeira de duas listas adversárias. Assim, foi um rival político do presidente, Ali Larijani, que assumiu a liderança do Parlamento.

Diante do mau humor nacional crescente com os efeitos inflacionários de sua política de gastos públicos, Ahmadinejad buscou cerrar fileiras de seu governo.

Na economia, demitiu em abril o ministro Davud Danesh-Jafari e, em setembro, foi a vez do presidente do Banco Central, Tahmasb Mazaheri, que defendia um maior rigor orçamentário.

A inflação, que estava em cerca de 10% ao ano quando Ahmadinejad chegou ao poder em agosto de 2005, batia na casa dos 30%, no outono de 2008.

Mahmud Ahmadinejad também se desfez, em maio, do ministro do Interior, Mostafa Pur-Mohammadi. Tempo depois, esse conservador declarou que o presidente "não suporta a crítica".

Mas o novo Parlamento deu a Ahamdinejad bastante trabalho para substituir o ministro que ficará encarregado de supervisionar a eleição presidencial.

Ali Kordan, aprovado pelo "Majlis" em agosto, desistiu em outubro, com uma moção de desconfiança motivada pela mentira sobre a obtenção de um diploma comprovadamente falso. Seu sucessor Sadegh Mahsouli, aliado do presidente, foi aprovado com uma apertada maioria, o que ilustra as tensões no bloco conservador.

Entre os conservadores e os potenciais adversários de Ahmadinejad na disputa pela presidência, está o prefeito de Teerã, Mohammad Bagher Qalibaf. O único candidato declarado até agora, é o reformista Mehdi Karubi, enquanto o ex-presidente Mohammad Khatami (também reformista) mantém o suspense.

Em posição de árbitro, o guia supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, já expressou seu apoio aos eventuais candidatos conservadores, estimulando Ahmadinejad a trabalhar como se ainda tivesse mais quatro anos pela frente.

A economia continua sendo o calcanhar-de-aquiles do presidente, sobretudo, com a queda vertiginosa do preço do petróleo, que despencou de quase 150 dólares o barril no verão para menos de 50 dólares nos últimos dias. As exportações dessa commodity garantem mais da metade da receita do Estado.

As críticas a Ahmadinejad também incluem a virulência de suas declarações em Política Externa. Continuou a perseguir o Estado de Israel, destinado, segundo ele, a "desaparecer", e multiplicou seus ataques aos EUA. Também anunciou o fim do capitalismo, colocando-se a favor da crise financeira mundial.

Ahmadinejad também parabenizou o democrata Barack Obama. A vitória de um candidato que se diz pronto para um diálogo sem condições com o Irã, ao contrário do ainda presidente George W. Bush, é considerada um bom sinal por Teerã. Esse diálogo, segundo Obama, manterá como principal objetivo a suspensão, por parte do Irã, de seu polêmico programa nuclear, o que é fortemente rejeitado pelo governo iraniano.

Em paralelo, o Irã ampliou suas instalações de enriquecimento de urânio, de quase 3.000 centrífugas para mais de 5.000 este ano. Teerã sempre defendeu que seu programa nuclear tem objetivo exclusivamente civil, mas seus avanços no tema já levaram o governo de Israel, seu inimigo declarado, a considerar a opção militar para pôr um fim a isso.

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