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09/12/2008 - 11h42

Paquistão descarta extradição para Índia de suspeitos de atentados de Mumbai

ISLAMABAD, 9 dez 2008 (AFP) - O Paquistão descartou nesta terça-feira a possibilidade de extraditar para a Índia os suspeitos dos atentados de Mumbai e afirmou que busca a paz com o vizinho, além de estar preparado para responder a um eventual ataque militar.

"Não queremos impor a guerra, mas estamos perfeitamente preparados no caso de que a guerra nos seja imposta", disse o ministro das Relações Exteriores paquistanês, Shah Mehmood Qureshi.

"Não esquecemos nossas responsabilidades de defender nossa pátria. Mas o que queremos é que não aconteça uma guerra", acrescentou.

Autoridades indianas acusaram o grupo Lashkar-e-Taiba, ativo no Paquistão apesar de ilegal, de estar por trás dos ataques de Mumbai, que deixaram 172 mortos, incluindo nove terroristas.

Nos últimos dias, a imprensa indiana fez especulações sobre a possibilidade de ataques por parte de Nova Délhi nos acampamentos dos extremistas.

O chanceler paquistanês afirmou que o país não extraditará para a Índia as 16 pessoas detidas recentemente dentro da investigação pelos atentados de Mumbai, mas julgará as mesmas no país caso se confirmem as suspeitas de suposto envolvimento nos ataques.

"Estas detenções aconteceram dentro de nossa própria investigação. Mesmo se forem comprovadas as acusações contra eles, não os entregaremos à Índia", declarou o ministro em um discurso.

"Nós os julgaremos dentro da lei paquistanesa", acrescentou.

Islamabad, muito pressionado pela comunidade internacional, fez uma operação no domingo em um acampamento da organização de caridade Jamaat-ud-Dawa, apontada como braço político do Lashkar-e-Taiba, e prendeu 15 pessoas.

Além disso, a polícia do país interroga Zaki ur Rehman Lajvi, detido no sábado. De acordo com a imprensa indiana, o único terrorista envolvido nos atentados de Mumbai capturado com vida o citou como o cérebro da operação.

Em um artigo publicado na edição desta terça-feira do jornal New York Times, o presidente paquistanês Asif Ali Zardari afirma que as prisões demonstram que seu país "atuará contra os atores não estatais encontrados em território paquistanês" e que os tratará "como criminosos, terroristas e assassinos".

Nova Délhi acusa Islamabad de não acabar com o Lashkar-e-Taiba, que alega lutar pela independência da área da Caxemira administrada pela Índia.

No passado, o grupo extremista teve vínculos com os serviços secretos paquistaneses.

Desde a independência da Grã-Bretanha em 1947, duas das três guerras entre Índia e Paquistão foram provocadas pelas tentativas de controlar totalmente a Caxemira.

A imprensa paquistanesa informou ainda que Masood Azhar, líder de outro grupo islamita declarado ilegal, o Jaish-e-Mohammad, está sob prisão domiciliar.

Azhar pode estar na lista de 20 pessoas com extradição solicitada pela Índia ao Paquistão na semana passada a propósito dos atentados em Mumbai.

O líder do Jaish-e-Mohammad também é procurado na Índia pelo ataque ao Parlamento indiano em 2001, que deixou os dois vizinhos à beira da guerra.

A Índia afirma que os 10 homens que executaram os atentados de Mumbai, entre 26 e 29 de novembro, procediam do Paquistão.

Nove deles morreram e o 10º foi capturado.

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