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11/12/2008 - 17h53

Ki-moon convoca Europa e EUA a darem exemplo na questão climática

POZNAN, Polônia, 11 dez 2008 (AFP) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, revelou nesta quinta-feira em Poznan que poderá convocar uma cúpula sobre mudança climática em setembro, em Nova York, e insistiu em que União Européia (UE) e Estados Unidos devem mostrar sua liderança no tema, apesar da crise econômica.

"O compromisso dos chefes de Estado e de Governo é muito importante", disse Ki-moon, em entrevista coletiva na Conferência da ONU sobre Mudança Climática, em Poznan, onde ministros do Meio Ambiente de 150 países negociam as bases de um novo acordo internacional.

Por esse motivo, "estou considerando a convocação de uma cúpula sobre mudança climática durante a Assembléia-Geral de setembro", afirmou.

Nesse sentido, Ki-moon convocou Europa e Estados Unidos a assumirem a liderança da luta contra o aquecimento global, em meio à frustração crescente dos países em desenvolvimento, os mais expostos.

"Precisamos de um New Deal ecológico (...) que se aplique a todos os países, tanto ricos quanto pobres", declarou Ki-moon, na véspera do encerramento da Conferência do Clima de Poznan.

Algumas horas antes do início da cúpula dos líderes dos 27 países-membros da UE, que tentarão chegar a um acordo sobre um plano para o clima, o secretário-geral da ONU destacou a imperiosa necessidade de uma "liderança" e pediu aos americanos e aos europeus que mostrem o caminho.

"O que precisamos agora é de liderança. Esperamos que essa liderança venha da União Européia", disse Ki-moon, em sessão plenária.

E "esperamos a liderança dos Estados Unidos", acrescentou, elogiando a decisão do presidente eleito, Barack Obama, de declarar a luta contra a mudança climática como prioridade de seu mandato, pondo fim às reticências do governo George W. Bush.

"É animador conhecer o plano da nova administração de pôr as energias alternativas, as políticas ambientais e a mudança climática no centro da definição de segurança nacional da América, da recuperação econômica e da prosperidade", completou.

Para Ki-moon, não se deve permitir que a crise econômica paralise os esforços de luta contra o aquecimento global.

"Sim, a crise econômica é grave. No entanto, quando falamos da mudança climática, as questões em jogo são ainda mais importantes", alertou, destacando que "nossa resposta à crise econômica deve fazer avançar os objetivos sobre o clima, e nossa resposta à crise climática fará avançar nossos objetivos econômicos e sociais".

O secretário-geral lembrou que o "Brasil construiu uma das economias mais limpas do mundo, criando milhões de novos postos de trabalho nesse processo".

Em termos menos diplomáticos, Apisai Ielemia, primeiro-ministro de Tuvalu, pequeno país da Polinésia, no oceano Pacífico, cuja existência está diretamente ameaçada pela elevação das águas, atacou: "Esperamos dos Estados Unidos que saiam da era das trevas da inação".

Essa foi a última vez que os EUA foram representados pela equipe Bush, que sempre se recusou a ratificar o Protocolo de Kyoto. O futuro presidente Obama já se comprometeu a devolver, até 2020, as emissões nos EUA de gases causadores do efeito estufa aos níveis de 1990.

No encontro, o presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado americano, John Kerry, disse que os Estados Unidos estão prontos a "assumir suas responsabilidades" e a se comprometer com metas de redução, desde que as grandes economias emergentes façam o mesmo.

Kerry também considerou "vital" observar o prazo de Copenhague, no final de 2009.

"Esse objetivo é o que a ciência (...) nos recomenda levar em conta. É o que o presidente eleito Obama tem a intenção de fazer", frisou.

"Todos os países devem participar. A China superou os Estados Unidos, tornando-se o primeiro emissor mundial", comentou Kerry, enviado por Obama a essa conferência, na qual os EUA ainda estão representados pela delegação de Bush.

"O mundo não pode pedir a pequenas ilhas que assinem um acordo suicida", disse Sylvester Quarless, de Granada, em nome da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis).

Esse grupo, com 43 membros, reivindicou em Poznan que o mundo se prepare com metas mais ambiciosas: limitar a alta das temperaturas médias do planeta a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, contra uma alta de 2°C, geralmente considerada nas negociações internacionais.

A Conferência de Poznan, organizada pela Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (CMNUCC), tem como objetivo avançar na negociação de um novo acordo internacional de luta contra o aquecimento que ocupe o lugar do Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. A expectativa é de que essa negociação internacional dê frutos na próxima conferência, prevista para dezembro de 2009, em Copenhague.

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