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14/12/2008 - 10h30

Brown visita Índia e Paquistão para atenuar crise após atentados de Mumbai

ISLAMABAD, 14 dez 2008 (AFP) - O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, visitou neste domingo Índia e Paquistão para tentar mediar a crise entre os dois países depois dos atentados de Mumbai e anunciou uma ajuda de nove milhões de dólares a Islamabad para lutar contra o terrorismo.

A mediação de Brown acontece em um momento de grande tensão entre os vizinhos, potências nucleares e eternos rivais.

O último exemplo veio sábado, quando o governo do Paquistão acusou a Índia de ter violado seu espaço aéreo.

A Índia negou a acusação na manhã deste domingo.

Nova Délhi acusa os 10 terroristas responsáveis pelos atentados de Mumbai de serem procedentes do Paquistão e exise que Islamabad extradite 40 terroristas.

Islamabad prendeu nos últimos dias várias pessoas ligadas ao Lashkar-e-Taiba (LeT), o grupo islamita extremista paquistanês acusado pela Índia, ao mesmo tempo que Nova Délhi descartou a possibilidade de um novo conflito com o Paquistão, país com o qual já travou três guerras desde a independência das duas nações, em 1947.

No entanto, a ministra da Informação do Paquistão, Sherry Rehman, afirmou que no sábado a aviação militar obrigou em duas ocasiões um avião militar indiano a retornar para a Índia.

O Exército paquistanês afirma que a aeronave indiana sobrevoou a parte administrada pelo Paquistão da Caxemira, uma região himalaia que os dois países disputam, e a cidade de Lahore.

Nova Délhi desmentiu categoricamente que tenha violado o espaço aéreo paquistanês.

"Não houve nenhuma violação do espaço aéreo, como nos acusam", declarou o porta-voz da aviação militar indiana, comandante Mahesh Upasani.

Brown visitou as duas antigas colônias britânicas para tentar reduzir a tensão entre os países, que chegou ao nível máximo depois dos atentados que mataram 172 pessoas, incluindo nove dos 10 terroristas, no fim de novembro em Mumbai.

Após um rápido encontro com o colega indiano Manhoman Singh em Nova Délhi, Brown responsabilizou o LeT pelos atentados, assim como Nova Délhi.

"Nós sabemos que o grupo responsável pelos ataques é o Lashkar-e-Taiba e tem que responder por este grande drama", declarou à imprensa antes de viajar a Islamabad, onde se reuniu com o presidente Asif Ali Zardari.

Zardari não negou o envolvimento do LeT, mas pediu provas a Nova Délhi e lembrou que a polícia paquistanesa já prendeu dezenas de pessoas suspeitas de ligação com a organização, considerada ilegal desde 2002, ou a uma associação de caridade considerada o braço político do grupo extremista.

Brown propôs a Zardari um "pacto anglo-paquistanês de luta contra o terrorismo", com uma ajuda de nove milhões de dólares como parte de um "completo programa antiterrorista".

"Grã-Bretanha e Paquistão trabalharão juntos dentro de um novo acordo que assegure que se fará todo o possível para que os terroristas não contem com refúgios seguros no país", afirmou Brown.

As zonas tribais do noroeste do Paquistão, na fronteira com o Afeganistão, se tornaram um novo refúgio da Al-Qaeda, que reconstituiu as forças com a ajuda dos talibãs afegãos e paquistaneses.

O premier britânico insistiu que o Paquistão é uma das "principais vítimas do terrorismo global, com 50 atentados suicidas somente em 2008".

A polícia britânica pode solicitar ao Paquistão interrogar os suspeitos dos atentados de Mumbai, que deixaram 172 mortos no fim de novembro, revelou uma fonte da equipe do primeiro-ministro britânico.

Os investigadores britânicos podem querer interrogar qualquer suspeito dos atentados de Mumbai detido no Paquistão dentro de uma investigação por crimes contra britânicos, incluindo Mohammed Ajmal Amir Iman, um paquistanês que é o único terrorista sobrevivente das 60 horas de ataques em Mumbai e que se encuentra detido na Índia, afirmou a fonte, que pediu anonimato.

Um empresário britânico-cipriota faleceu nos atentados na capital financeira indiana.

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