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19/02/2009 - 17h46

A aposta arriscada de Barack Obama

WASHINGTON, EUA, 19 Fev 2009 (AFP) - Barack Obama, que completa nesta sexta-feira seu primeiro mês na Casa Branca, tomou em pouco tempo decisões arriscadas que podem transformá-lo no salvador da economia americana, mas também precipitar sua queda após um único mandato.

Obama, que assumiu oficialmente em 20 de janeiro o comando de um país em crise, conseguiu promulgar um gigantesco plano de recuperação de 787 bilhões de dólares, além das intervenções do Estado nos setores financeiro, imobiliário e automobilístico.

Se estas iniciativas permitirem relançar a economia, Obama ganhará um lugar de destaque ao lado dos maiores presidentes da história dos Estados Unidos.

No entanto, se a América mergulhar em uma década de estagnação, como o Japão nos anos 90, Obama será acusado de ter agravado o déficit orçamentário e a dívida.

"Se não funcionar, se a situação econômica piorar, haverá um legado complicado para administrar", observou o historiador Julian Zelizer, da universidade de Princeton. "A aposta está na mesa", destacou.

Obama conta com um amplo apoio da opinião pública, mas sabe que será avaliado por seus resultados, como admitiu na semana passada na Flórida.

"Se daqui a alguns anos as pessoas não tiverem a impressão de que a economia se recuperou e que eu orientei o país na direção certa, então vocês terão um novo presidente", declarou.

Segundo o especialista em política Dennis Goldford, da universidade de Drake, Obama acredita que pode utilizar a crise econômica para empreender mudanças profundas nos Estados Unidos.

"Como ele mesmo disse, se tiver sucesso, será reeleito, e se fracassar, fará um único mandato", resumiu Goldford.

A próxima eleição presidencial americana está prevista para novembro de 2012.

A audácia do plano de recuperação da nova administração pode explicar porque o apelo de Obama ao consenso foi rejeitado pela oposição republicana, provavelmente ciente de que um fracasso do presidente democrata no âmbito econômico lhe dará a vitória nas urnas.

Por enquanto, o novo chefe de Estado desfez rapidamente o legado de seu predecessor George W. Bush: ordenou o fechamento da prisão de Guantánamo, proibiu a tortura, ordenou o envio de reforços ao Afeganistão e pediu a seus generais que planejassem uma retirara "responsável" do Iraque.

Problemas, porém, não faltaram. O novo plano de resgate do setor financeiro não agradou aos mercados. O governo deve agora decidir até onde apoiará o setor automobilístico, num momento em que as montadoras General Motors e Chrysler pediram 25 bilhões de dólares suplementares para escapar da falência.

Além disso, várias personalidades designadas para ocupar cargos importantes na nova administração tiveram de desistir devido a embaraçosos problemas fiscais, como Tom Daschle, que devia se tornar o novo secretário da Saúde.

No âmbito internacional, a Coreia do Norte ameaçou efetuar um teste de míssil, e os eleitores israelenses escolheram um Parlamento pouco propenso ao consenso com os palestinos.

Em todo caso, Obama não demorou para ter a atitude de um presidente, observou Julian Zelizer. "Bush levou muito mais tempo para parecer um presidente dos Estados Unidos. Foi preciso esperar o dia 11 de setembro e seu famoso discurso diante dos bombeiros do World Trade Center", afirmou.

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