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17/03/2009 - 18h37

No segundo dia de julgamento Fritzl enfrenta o depoimento da filha

SANKT-POLTEN, Áustria, 17 Mar 2009 (AFP) - O austríaco Josef Fritzl, que durante 24 anos manteve a filha Elisabeth em cativeiro, a violentou várias vezes e teve sete filhos com ela, enfrenta nesta terça-feira, no segundo dia do julgamento, o depoimento dela em vídeo, que será exibido a portas fechadas para proteger a identidade das vítimas.

O julgamento do 'monstro de Amstetten', que acontece em Sankt Polten (60 km a oeste de Viena), deve ter o veredicto anunciado na quinta ou sexta-feira.

O advogado de Fritzl, Rudolf Mayer, entrevistado pela AFP pouco antes da abertura da sessão, afirmou que o cliente "já disse tudo" e não fará comentários sobre o depoimento da filha.

Como na véspera, Josef Fritzl manteve nesta terça-feira o rosto oculto atrás de uma pasta de arquivo azul diante das câmeras do canal de televisão austríaco ORF, o único autorizado a filmar a entrada da sala de julgamento.

"Ele está apenas envergonhado", disse Mayer.

A atitude do réu e sua imagem, com o rosto escondido pela pasta, foram destaque na imprensa local.

"Esta é a face do mal", era a manchete do jornal austríaco Kleine Zeitung nesta terça-feira. "Um covarde até o fim", escreveu por sua vez o tablóide Kronen Zeitung.

Fritzl, que no primeiro dia do processo se declarou culpado de incesto, estupro e sequestro, mas negou as acusações de assassinato e escravidão, será confrontado com o depoimento da filha, um vídeo de 11 horas.

A exibição do vídeo, no qual a vítima fala do "martírio inimaginável" infligido pelo pai, que a usava como "um brinquedo", segundo as palavras da promotora Christine Burkheiser, deve ser concluída na quarta ou quinta-feira.

Devido aos detalhes perturbadores do julgamento, assistência psicológica está sendo oferecida aos membros do júri.

Segundo Erich Huber-Guensthofer, diretor da prisão de Sankt Poelten, onde Fritzl é mantido, o réu também está sendo acompanhado todo o tempo por psiquiatras, aos quais pode ter acesso durante as audiências, se quiser.

"Este é um ponto fundamental do tratamento (na prisão), e faz parte de uma série de medidas para evitar o suicídio" do acusado, explicou.

Fritzl manteve Elisabeth, hoje com 42 anos, sequestrada durante 24 anos no porão de seu prédio em Amstetten, 130 km a oeste de Viena, abusando sexualmente dela durante todo o tempo. Dos sete filhos que a vítima teve, um faleceu poucos dias depois do parto por falta de cuidados médicos.

Após a leitura das 27 páginas da ata de acusação, na segunda-feira, Fritzl negou a responsabilidade pela morte de um dos filhos do incesto, em 1996, ao qual teria negado cuidados médicos dois dias depois de seu nascimento.

Nesta terça-feira, os jurados ouviram o depoimento de um especialista em obstetrícia para esclarecer a acusação de homicídio do recém-nascido.

O assassinato pode ser punido com prisão perpétua na Áustria.

Além do depoimento da filha de Fritzl, será exibido ainda um curto depoimento de um irmão de Elisabeth, Harald, que também foi gravado.

Os filhos de Elisabeth e outros irmãos se negaram a testemunhar, assim como a esposa de Fritzl, Rosemarie, como permite a lei austríaca.

Desde que foram libertados do porão onde eram mantido por Fritzl, Elisabeth e seus filhos estão em local secreto, vivendo com novas identidades.

O tribunal pode ainda pedir a ajuda da psiquiatra Adelheid Kastner, que em uma análise determinou a responsabilidade penal do acusado, ao mesmo tempo em que destacou a presença de problemas de personalidade.

As conclusões dela podem ser fundamentais para o veredicto do que está sendo chamado de 'julgamento do século' na Áustria.

Perguntado sobre a reação do réu ao depoimento gravado da filha, o porta-voz do julgamento Franz Cutka, disse apenas que ele ouviu "com atenção".

"O acusado foi questionado sobre alguns pontos, e deu seus pontos de vista", acrescentou.

Cutka também não quis falar sobre a reação dos jurados ao vídeo.

Ao abrir os trabalhos do tribunal na segunda-feira, a promotora Christiane Burkheiser entregou aos membros do júri uma caixa, contendo objetos retirados do porão, em Amstetten, cujo mau cheiro fez com que torcessem o nariz.

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