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25/03/2009 - 14h33

Le Pen reafirma que câmaras de gás foram "um detalhe" da Segunda Guerra

ESTRASBURGO, França, 25 Mar 2009 (AFP) - O líder da extrema direita francesa, Jean Marie Le Pen, reafirmou nesta quarta-feira na Eurocâmara que é "uma evidência" que as câmaras de gás foram um detalhe" da história da Segunda Guerra Mundial, declaração que já valeu ao político condenações contundentes.

No centro de uma polêmica no Parlamento Europeu de Estrasburgo (leste da França) sobre a possibilidade de presidir a próxima sessão inaugural da instituição, Le Pen afirmou ter sido vítima de "acusações difamatórias" da parte do líder da bancada socialista, Martin Schulz.

Schulz chamou Le Pen na terça-feira de "velho fascista" e "negacionista do Holocausto".

Após as declarações de Le Pen sobre as câmaras de gás, as principais forças políticas do Parlamento europeu acabaram por decidir que vão impedir o líder da extrema direita de presidir, como decano da casa, a nova sessão inaugural.

"Limitei-me a dizer que as câmaras de gás foram um detalhe da história da guerra mundial, algo que é uma evidência", declarou Le Pen no Europarlamento, sob as vaias dos presentes.

"Lembro de que nessa ocasião fui condenado a pagar 200.000 euros em danos e juros, o que prova o estado no qual se encontra a liberdade de expressão na Europa e na França", acrescentou, exigindo ao presidente do grupo socialista "que peça de boa vontade desculpas por uma acusação que é mentirosa".

Em função disso, o chefe do grupo conservador, o mais importante no Parlamento, o francês Joseph Daul, anunciou o seu apoio a uma proposta dos socialistas e dos verdes "de adotar todas as medidas necessárias" para impedir que Le Pen possa presidir a sessão inaugural no dia seguinte às eleições europeias de 7 de junho.

"Os propósitos negacionistas de Le Pen, reiterados no Parlamento europeu, o desqualificam para presidir, nem que seja por um segundo, nossa instituição na abertura dos trabalhos da próxima legislatura", disse Daul.

Para isso, será preciso uma mudança no regulamento interno do Parlamento que prevê que a sessão inaugural seja presidida pelo decano da assembleia, uma condição de Le Pen, de 80 anos, tem grandes chances de preencher na nova assembleia em julho.

Esta não é a primeira vez que o chefe histórico da extrema direita francesa reitera tais afirmações.

Jean-Marie Le Pen as fez pela primeira vez em uma estação de rádio francesa em setembro de 1987, o que valeu a ele uma multa de 1,2 milhão de francos (183.200 euros).

Em 2005, ele repetiu as afirmações, e novamente em 2008 na revista "Bretons".

Suas novas declarações nesta quarta-feira diante de seus colegas do Parlamento Europeu apenas ravivaram a controvérsia a seu respeito que agita a instituição desde o início da semana.

A esquerda procurava impedir que Le Pen podesse, na posição de decano, presidir a próxima sessão inaugural do Parlamento, após as eleições europeias de junho.

Le Pen, que celebrará seu aniversário de 81 anos no mês das eleições, é membro do Parlamento Europeu desde 1984.

Ele vai se candidatar novamente na liderança da Frente Nacional e, se for eleito, será o decano, por idade, do próximo Parlamento.

"Que aqueles que não querem que esse homem dirija a sessão inaugural do Parlamento Europeu aprovem a minha proposta de modificar o regulamento", disse nesta quarta-feira Schulz, pedindo que a Presidência do Parlamento tome "medidas" após as propostas "inaceitáveis" de Le Pen.

Já Daul considerou que Le Pen está "deslocado" e exigiu "respeito" às vítimas dos campos de concentração.

Apoiado pelos Verdes, Martin Schulz havia proposto na terça-feira uma modificação do regulamento interno do Parlamento, que prevê que o decano dos políticos presida a sessão inaugural da nova assembléia.

Rejeitada pelo líder dos liberais Graham Watson, a proposta de Schulz será "analisada" pelos conservadores, prometeu Joseph Daul.

Em julho de 1989, o ex-cineasta francês Claude Autant-Lara já havia provocado um escândalo no Parlamento Europeu. Eleito por um partido da FN, ele teve a oportunidade como decano de pronunciar um discurso no qual grande parte dos parlamentares deixaram o local, em sinal de protesto.

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