Chávez e Correa pedem orgão regional para controlar imprensa

Em Quito

Os presidentes de Equador e Venezuela, Rafael Correa e Hugo Chávez, vão propor à União de Nações Sul-Americanas (Unasul) a criação de um órgão regional que "defenda os governos dos abusos da imprensa", descrita por ambos como o maior inimigo do modelo socialista.

"Quando for presidente da Unasul, vou propor formalmente a criação de instâncias que defendam os cidadãos e os governos eleitos legitimamente dos abusos da imprensa", disse Correa ao lado de Chávez, que visita o Equador.

Na capital

  • Pablo Cozzaglio /Topshots/AFP

    Chávez (à esq.) participou das comemorações do 187º aniversário da Batalha de Pichincha em Quito, ao lado do presidente do Equador, Rafael Correa (à dir.). A data lembra um importante episódio na história da independência equatoriana



Correa chamou a imprensa equatoriana de "corrupta, instrumento da oligarquia" e principal "inimigo da mudança" no Equador e na Venezuela.

Chávez garantiu que o Equador "conta com todo o apoio da Venezuela em sua luta contra este fenômeno que se aproxima da loucura do fascismo, de forma aberta, descarada e cínica".

"Um dos maiores inimigos da mudança na América Latina é certa imprensa, comprometida com os poderes que sempre dominaram nossa região (...) Temos que enfrentar e derrotar este poder tão grande e tão impune".

Correa destacou que a imprensa pode ser derrotada "com leis mais fortes, que punam tanto a desinformação, como a má fé e a corrupção".

Chávez criticou a Organização dos Estados Americanos (OEA) por não ter "tocado sequer com um pétala de rosa a imprensa burguesa", quando ela foi cúmplice da tentativa de golpe de Estado na Venezuela em abril de 2002.

No sábado, Correa anunciou uma drástica auditoria sobre as frequências concedidas pelo Estado aos meios de comunicação, durante seu programa semanal de rádio.

"Vamos investigar, agir com toda a firmeza, há uma corruptela total e estamos dispostos a corrigir isto", assinalou o presidente.

Segundo Correa, as frequências de rádio e TV têm sido terrivelmente "mal entregues e mal exploradas", e em vários casos houve tráfico de influência ou "irregularidades".

Na Venezuela, a polícia invadiu na quinta-feira a casa de Guillermo Zuloaga, presidente do canal de televisão Globovisión, que mantém uma linha editorial contrária ao governo de Chávez.

A batida policial foi precedida de duros ataques de Chávez à Globovisión, que o presidente chamou de TV "terrorista", que "viola a Constituição" e "incita ao ódio".

A operação encontrou diversos carros de luxo, que segundo a polícia não tinham documentos, versão rejeitada por Zuloaga.

Há dois anos, Chávez não renovou a licença da RCTV, que fazia clara oposição a seu governo, tirando do ar o canal mais visto na Venezuela.

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