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18/06/2009 - 15h01

Gastos dos deputados britânicos são publicados na internet, pondo mais lenha na fogueira

LONDRES, 18 Jun 2009 (AFP) - Os gastos detalhados dos deputados britânicos foram publicados oficialmente pela primeira vez na internet nesta quinta-feira, depois de semanas de revelações divulgadas na imprensa e que provocaram uma onda de demissões.

O chefe da Scotland Yard, Paul Stephenson, informou que a polícia britânica deverá decidir nas próximas semanas se processará os legisladores envolvidos no escândalo.

"Estamos buscando mais informações e, quando as conseguirmos, as analisaremos e então tomaremos uma decisão. Não acho que estejamos longe disso", afirmou.

Os analistas não esperam que as quase 1,2 milhão de páginas do site do Parlamento revelem surpresas, em parte porque o jornal Daily Telegraph já publicou muitas informações que mostram como os deputados pediam reembolso por diversos gastos de ordem pessoal.

Parte da informação disponibilizada na rede, no entanto, foi riscada, incluindo os endereços dos parlamentares, o que já provocou críticas de alguns eleitores e pedidos de mais transparência.

Vince Cable, porta-voz do Tesouro para o partido opositor Democratas Liberais, afirmou que esta última informação não é confiável.

"Se não fosse pelo Daily Telegraph, boa parte deste material não teria sido revelado. Não é confiável e, portanto, é menos eficaz do que deveria ter sido", declarou Cable à BBC.

Alistair Graham, ex-presidente do Comitê sobre os Princípios da Vida Pública, uma organização que aconselha o Governo britânico sobre assuntos éticos, afirmou que muita informação foi censurada.

"Sou contra a forma de redigir e a censura que claramente houve", declarou à BBC.

Maurice Frankel, da associação Campanha para a Liberdade de Informação, criticou a publicação parcial dos dados.

Há um ano, a Suprema Corte havia ordenado a publicação dos gastos depois de uma longa e lenta batalha judicial travada por jornalistas e políticos.

A secretária de Estado do Tesouro, Kitty Ussher, renunciou na quarta-feira, tornando-se a última envolvida no escândalo dos gastos abusivos a pedir demissão.

Dezenas de ministros e deputados se viram obrigados a renunciar ao mandato nas últimas semanas por causa do escândalo, e os principais partidos políticos iniciaram uma investigação sobre eventuais abusos do sistema.

Um dos principais envolvidos é o presidente da Câmara dos Comuns, Michael Martin, que deve se demitir no fim de semana.

Inúmeros deputados, assim como a imprensa, o reprovam por ter ignorado os pedidos para que reformasse um sistema que permitia tantos abusos, já que, como presidente dos Comuns, era responsável pelo serviço que controla as despesas dos deputados.

A popularidade do Governo do primeiro-ministro, Gordon Brown, caiu estrepitosamente por causa do escândalo, apesar de vários deputados conservadores também estarem envolvidos.

Uma pesquisa publicada esta semana mostra que os conservadores têm o apoio de 39% da população, e os trabalhistas 27%.

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