Vendedores aproveitam marchas a favor de Zelaya para incrementar seus negócios

Em Tegucigalpa

Por causa da crise política ocasionada pelo golpe contra o presidente deposto Manuel Zelaya, o negócio de Walter Ramírez no mercado popular de Tegucigalpa, capital de Honduras, ia mal. Ele decidiu, então, participar das marchas de resistência contra o golpe de Estado para melhorar suas vendas.

"Antes, no mercado, fazia cerca de mil lempiras [55 dólares], mas devido à crise que se seguiu ao golpe, as vendas caíram e passei a fazer apenas 200 lempiras [11 dólares]. Nas marchas vendo de 700 a mil lempiras", contou Ramírez à AFP, enquanto acompanhava uma manifestação.

O vendedor de 33 anos levava em uma mão um mostruário com dezenas de óculos de sol, com preços entre 50 e 70 lempiras [de 2,6 a 3,7 dólares], e na outra alguns chapéus, que vende entre 50 e 70 lempiras.

Sempre que tem uma manifestacão da Frente de Resistência contra o Golpe de Estado na capital de Honduras, junto dela marcha um exército de vendedores de comidas, sorvetes, óculos, chapéus e fitas para o cabelo com mensagens a favor de Zelaya.

Desde o dia 28 de junho, quando Zelaya foi capturado pelos militares e enviado ao exílio na Costa Rica, as organizações sociais que o apoiam tem saído às ruas em manifestações públicas todos os dias.

"Aqui estamos ganhando a vida e apoiado a manifestação para que o homem volte. Matamos dois pássaros com um tiro", afirmou Ramírez.

Tomás Zúniga, de 27 anos, também vende chapéus e algumas fitas vermelhas para o cabelo com a inscrição: "A vitória é de Honduras, Mel [Manuel Zelaya], o povo te apoia".

"Vendo de 800 lempiras a 1,2 mil [de 42 a 63 dólares]", contou, com satisfação. "E isso porque a maioria das pessoas vem com pouco dinheiro, só por amor à luta pela democracia", garantiu.

"Eu ando por aqui desde o dia em que depuseram o presidente, em 28 de junho, e não posso me queixar porque estou indo bem", disse Dany Banegas, de 28 anos, enquanto empurrava seu carrinho de cachorro-quente e refrigerantes.

"Há dias bons e dias ruins. Em um dia bom [na marcha] vendo até 100 cachorros-quentes", explicou. Cada um custa 15 lempiras [cerca de 80 centavos de dólar]. Normalmente, no mercado ou em outros lugares, ele disse que nunca vende mais do que 50 unidades por dia.

"Tem ir para as ruas porque hoje, com esta crise, não acontece nada no mercado. Nas manifestações tenho ido bem e ainda aproveitamos para colaborar", apontou Edwin Cerrato, de 28 anos, que empurrava um carrinho com uma fruta local.

"Mas com tudo isso, o que queremos mesmo é que o homem [Zelaya] regresse. As pessoas não aguentam mais essa instabilidade, ninguém trabalha tranquilo em nenhuma parte do país. [Roberto] Micheletti tem que ceder, já que o povo não o nomeou presidente", sentenciou José Ferrufino, de 42 anos, um vendedor de sorvetes.

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