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10/08/2009 - 18h46

Unasul acerta reunião sobre acordo militar Colômbia-EUA

QUITO, Equador, 10 Ago 2009 (AFP) - Os países moderados da América do Sul acataram nesta segunda-feira, em Quito, a proposta de Luiz Inácio Lula da Silva para realizar uma reunião presidencial da Unasul visando analisar o acordo militar entre Estados Unidos e Colômbia, que tem gerado tensões na região.

Para o encontro, que ocorrerá possivelmente ainda este mês, foi convidado o presidente colombiano, Alvaro Uribe, que não participou da reunião de hoje da Unasul devido à crise diplomática entre Quito e Bogotá.

"Vamos fazer uma reunião de presidentes para avaliar estes comportamentos (...) Penso que isto será resolvido com muita conversa, debate, se falando a verdade, as pessoas vão ter que ouvir coisas que não gostam", disse Lula em Quito.

A proposta foi acolhida pelos presidentes de Equador e Argentina, Cristina Kirchner e Rafael Correa, e pelo mandatário do Paraguai, Fernando Lugo, que pediu que o encontro não seja utilizado para colocar a Colômbia "no banco dos réus".

As delegações de Bolívia e Venezuela propuseram, sem sucesso, incluir na declaração final do encontro de hoje uma rejeição à presença de tropas americanas em bases militares colombianas.

Ao insistir na proposta, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, tomou a palavra de modo intempestivo para alertar sobre "os ventos da guerra" que sopram na região com o uso das bases colombianas por forças americanas.

"Cumpro com minha obrigação moral de alertar: ventos da guerra começam a soprar", disse Chávez a seus colegas sul-americanos, salientando que "todos estão muito preocupados".

Chávez estimou que o "anúncio da instalação de sete bases militares (dos Estados Unidos) no território colombiano" pode se "converter em uma tragédia".

Na mesma linha, Correa advertiu que "isto pode gerar uma guerra na América do Sul".

Cristina Kirchner acolheu a proposta de Lula destacando que a presença de Uribe é indispensável ao encontro: "É imprescindível o convite ao presidente Alvaro Uribe para que não fique a sensação de que há hostilidade...".

Correa, presidente pró-tempore da Unasul, perguntou se a reunião poderia ocorrer em Buenos Aires, ao que Cristina Kirchner respondeu: "Fico encantada de receber os membros da Unasul. Me comprometo a convidar pessoalmente o presidente Uribe, porque acredito que ele também está interessado nesta reunião e a dar explicações".

Inicialmente, o organismo havia acertado debater o tema em um encontro de chanceleres e ministros da Defesa, em agosto, mas diante dos temores manifestados por Chávez e pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, se resolveu elevar o perfil da discussão.

Bogotá defende o acordo como um "assunto interno" e descarta que sua cooperação com os Estados Unidos seja uma ameaça a outros países.

"Não houve nem haverá bases militares estrangeiras na Colômbia. Não pedimos isto e os Estados Unidos não pensam em instalá-las", disse a vice-chanceler colombiana, Clemencia Forero.

A diplomata acrescentou que "será permitido apenas o acesso limitado a certas bases para atividades contra o narcotráfico e o terrorismo (...) sem afetar terceiros Estados".

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