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11/08/2009 - 13h38

Uma cruz divide poloneses sobre o papel da Igreja e seus símbolos na vida pública

VARSOVIE, 11 Ago 2010 (AFP) -Uma enorme cruz instalada em Varsóvia em memória ao presidente Lech Kaczynski, morto em 10 de abril em um acidente de avião, vem sendo motivo de grande polêmica, amplamente divulgada pela mídia sobre a separação da Igreja Católica e o Estado polonês.

A cruz de madeira levantada espontaneamente por escoteiros poloneses depois da catástrofe do avião presidencial em Smolensk, no oeste da Rússia, deveria ter sido transferida no dia 3 de agosto para uma igreja na Polônia, mas um grupo de ativistas impediu que isso acontecesse. No acidente, o presidente, sua esposa e outras 94 pessoas morreram.

Pela primeira vez na Polônia, país onde 90% dos habitantes são católicos, milhares de pessoas manifestaram-se na segunda-feira contra a presença da cruz em um espaço público. Muitos jovens se organizaram com a ajuda do site de relacionamentos Facebook.

"É um fenômeno novo. Estes jovens contestam a Igreja como instituição, mais do que a religião", disse o sociólogo Edmund Wnuk-Lipinski.

Reunidos em frente ao Palácio Presidencial, os manifestantes ironizaram os defensores da cruz, entoando canções de ninar ou gritando palavras de ordem contra a Igreja. Alguns deles vieram fantasiados de personagens da saga "Guerra nas Estrelas".

"Um dos aspectos importantes do conflito, é que a disputa tem a ver com a Igreja e seus símbolos na vida pública. A determinação dos defensores da cruz em frente ao Palácio Presidencial faz apenas aumentar o número de adversários", explicou à AFP Janusz Czapinski, especialista em psicologia social.

Esta situação reforça o partido social-democrata SLD, a terceira força política da Polônia, atrás dos liberais no poder e a oposição conservadora.

O SLD denuncia abertamente a concordata entre a Igreja Católica e o Estado, assinado em 1993, que oferece um grande espaço à Igreja dentro da vida pública.

Os militantes sócio-democratas lançaram na terça-feira um abaixo-assinado "pedindo o respeito da Constituição e a defesa do caráter laico do Estado". Eles afirmam ter coletado 2 mil assinaturas no primeiro dia.

A polêmica tomou uma dimensão política após o anúncio do projeto de deslocamento da cruz pelo presidente Bronislaw Komorowski, eleito no dia 4 de julho, vencendo seu rival conservador Jaroslaw Kaczynski.

A transferência havia sido decidida pela diocese de Varsóvia, pela presidência da República e pelas organizações de escoteiros. Mas pessoas próximas impediram que a cruz fosse removida.

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