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12/08/2009 - 23h25

Ex-general argentino condenado à prisão perpétua

BUENOS AIRES, Argentina, 12 Ago 2009 (AFP) - O ex-general Santiago Omar Riveros, comandante do Campo de Mayo, um dos maiores centros de extermínio da ditadura argentina (1976/83), foi condenado nesta quarta-feira à prisão perpétua por crimes de lesa humanidade, informou a TV local.

Riveros, ex-chefe do Comando de Institutos Militares, foi considerado culpado pelo assassinato de Floreal Avellaneda, de 15 anos, e pelo sequestro da mãe do jovem, Iris Avellaneda.

Santiago Omar Riveros integrou a Junta Interamericana de Defesa, que articulou na década de 70 o chamado Plano Cóndor, para coordenar a repressão nos países do Cone Sul, incluindo o Brasil.

Floreal Avellaneda, membro da Federação Juvenil Comunista, foi torturado e empalado pelos militares, após ser detido em sua casa, com a mãe, um mês depois do golpe de março de 1976.

O jovem foi torturado para revelar o paradeiro do pai, um membro do Partido Comunista, que conseguira fugir durante a batida dos militares.

Segundo o relato de Iris Avellaneda, os militares "aplicaram choques nas axilas, boca, genitália e ânus" dos dois. "Então, ele (Floreal) me pediu chorando para dizer onde o pai estava, mas eu não sabia".

Finalmente, o corpo de Floreal apareceu "na costa uruguaia, com os pés e mãos amarrados (...) e sinais de empalamento".

Iris foi solta quase três anos após a prisão.

O tribunal também condenou, a 25 anos de prisão, o ex-chefe de Inteligência do Comando de Institutos Militares e ex-chefe da Polícia de Buenos Aires Fernando Verplaetsen.

Outros quatro acusados pela morte de Floreal receberam penas de entre oito e 18 anos de prisão.

Pelo Campo de Mayo passaram cerca de 5 mil prisioneiros da ditadura, segundo organismos de direitos humanos.

Após ouvir a sentença, Floreal Avellaneda, pai do jovem, "destacou que a pena deve ser cumprida em prisão comum". "Mesmo que morra na prisão, jamais vai sofrer o que nós sofremos".

O ex-membro do Partido Comunista acrescentou que "trata-se de um julgamento emblemático porque é o primeiro envolvendo os crimes cometidos no Campo de Mayo", o maior quartel do Exército argentino.

Riveros havia sido condenado em 1985 e indultado em 1989, mas foi acusado posteriormente de sequestro de bebês, filhos de presos desaparecidos, algo considerado crime de lesa humanidade, sem prescrição.

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