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13/08/2009 - 10h45

Hamid Karzai, presidente afegão contestado, mas favorito para o segundo mandato

CABUL, Afeganistão, 13 Ago 2009 (AFP) - Levado ao poder pelo Ocidente em 2001 e eleito em 2004, o presidente afegão Hamid Karzai é favorito para as eleições de 20 de agosto, apesar de sua limitada política de segurança e de luta contra a corrupção, prova de sua habilidade para se manter no centro do cenário nacional.

"Já trabalhamos muito", afirmou o presidente diante de quase 15.000 partidários, num comício no início de agosto em Cabul, prometendo, caso seja eleito, "uma vida melhor para todos".

Conhecido por sua elegância e sua educação, originário de uma família de influência, Karzai foi durante muito tempo acompanhado de perto pelos Estados Unidos, que o colocaram no poder no fim de 2001.

Eles o apoiaram oficialmente durante a eleição presidencial vitoriosa de 2004, promessa de uma nova era que atraiu grande parte da população.

Mas sua estrela perdeu brilho com o passar dos anos. Em Washington, a nova administração de Barack Obama não lhe poupou críticas, mas depois teve de reduzir o tom por falta de alternativa.

E o ódio contra ele aumenta na população diante de seu fracasso para conter as violências, que se encontram em seu mais alto nível no país desde 2001, a criminalidade e a corrupção.

Karzai pode, porém, comemorar alguns sucessos, em termos de saúde e educação, principalmente.

Com isso, ele é o favorito para a eleição: as manobras feitas nos bastidores nos últimos meses parecem ter-lhe assegurado um apoio necessário para vencer seus 40 adversários.

De origem pashtum do clã dos Popalzai, nascido em 24 de dezembro de 1957 no vilarejo de Karz, perto de Kandahar, a grande cidade do sul e berço dos talibãs, Karzai estudou em Cabul e depois na Índia, onde ele se especializou em ciências políticas.

Casado com Zenat, um médica pouco atuante, teve um filho em 2007.

Entre 1982 e 1994, Karzai passou a maior parte de seu tempo no exílio, principalmente no Paquistão, exceto por sua curta passagem como vice-presidente dos Assuntos Estrangeiros no governo mudjahedine em 1992.

Em 1994, quando voltou ao Kandahar, ele manteve contatos com os talibãs, mas rompeu definitivamente quando seu pai morreu em 1999, em Quetta (Paquistão), em um atentado atribuído aos estudantes da religião.

Depois de voltar clandestinamente para o Afeganistão, em outubro de 2001, Hamid Karzai foi, após a queda dos talibãs, designado presidente em dezembro de 2001 na Conferência de Bonn, convocada para constituir um governo "interino" protegido pelos Ocidentais.

Confirmado em junho de 2002 por uma Loya Jirga (grande conselho tribal), ele venceu no fim de 2004 a primeira presidencial de voto universal direto da história do país, com 55% dos votos.

Hamid Karzai sobreviveu a pelo menos quatro tentativas de assassinato, a última em um desfile militar, em abril, em Cabul.

Em alguns poucos comícios, com alto esquema de segurança, o presidente afegão anunciou duas prioridades: dobrar os efetivos da polícia e do exército em cinco anos, e abrir negociações com os talibãs, uma proposta recorrente e que os rebeldes sempre rejeitam.

Ele também se negou a participar de um debate televisivo com seus principais rivais, que colocam amplamente em questão suas competências para dirigir o país.

A escolha que fez para candidato à vice-presidência, de Mohammad Qasim Fahim, ex-chefe tadjique suspeito de crimes de guerra, horrorizou a comunidade internacional, mas deve garantir ao presidente pashtum os votos da influente minoria tadjique.

Os líderes das comunidades uzbeques e hazara também anunciaram seu apoio ao presidente atual, cujos opositores fracassaram em formar um frente unido.

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