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13/08/2009 - 14h55

Paquistão aposta em Karzai, mas quer mudança americana

ISLAMABAD, Paquistão, 13 Ago 2009 (AFP) - O Paquistão parece preferir uma reeleição de Hamid Karzai, o que garantiria uma certa estabilidade, e espera que isso leve a uma rápida retirada americana do Afeganistão, mesmo que o presidente afegão suscite uma certa desconfiança em Islamabad, afirmam os analistas.

As relações entre os dois vizinhos, que compartilham 2.500 km de uma fronteira instável, foram tão intensas quanto movimentadas nos últimos anos.

Nos anos 1990, os paquistaneses apoiaram os talibãs afegãos, que foram incluídos em uma estratégia que tinha como objetivo se opor à influência de seu rival número um, a Índia.

Após 2001 e com a chegada das tropas internacionais ao Afeganistão, as relações entre os dois presidentes, o afegão Hamid Karzai e o paquistanês Pervez Musharraf, se degradaram muito, com um acusando o outro de promover desestabilização.

As relações parecem estar melhores entre Karzai e seu atual colega, Asif Ali Zardari, a ponto de vários analistas considerarem o presidente afegão o favorito de Islamabad nas eleições presidenciais de 20 de agosto.

"Zardari tem relações melhores com Karzai do que com outros candidatos que são hostis ao Paquistão", e a reeleição do presidente afegão "pode permitir que os dois países atuem de maneira coordenada", assegura o general paquistanês da reserva Talat Masood.

"As relações afegão-paquistanesas melhoraram muito com Karzai", confirma Ishtiaq Ahmed, professor da Universidade Qa¯d-i-Azam de Islamabad.

"Há dois níveis de relações entre os dois países. Em nível de chefes de Estado, o bom relacionamento entre Karzai e Zardari parece sincero. Mas em nível militar e estratégico, no serviço reservado do Exército e nos serviços secretos, há mais do que desconfiança", explica um diplomata ocidental.

E dois temas são o pano de fundo nesse âmbito: a presença militar americana, e a influência regional da Índia.

O governo Obama, que integrou os dois países em uma mesma estratégia regional, decidiu enviar mais de 20.000 soldados como reforço para combater a rebelião dos talibãs, que ganha terreno.

Essa estratégia não agrada o Paquistão, que exige mudança, com uma opinião pública claramente antiamericana.

Enquanto Hamid Karzai é visto como o homem de Washington, parte serviços secretos paquistaneses ainda permanecem ligados aos talibãs, ressaltam diversos observadores na região.

Para o ex-embaixador do Paquistão em Cabul, Rustam Shah Mohmand, a presença americana no Afeganistão é a principal causa da rebelião afegã, e os americanos não têm outra solução a não ser dialogar com ela.

Segundo ele, a situação nos dois países poderá melhorar apenas "com uma retirada das tropas internacionais do Afeganistão".

Se os americanos intensificarem sua campanha no Afeganistão, "isso vai criar problemas para o Paquistão", disse.

O fator indiano também é importante na relação entre os dois países. "Nesse plano, os paquistaneses desconfiam mais de Karzai", que deixou a Índia reforçar suas posições na região, instalando consulados em várias cidades afegãs, considera o diplomata.

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