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18/08/2009 - 12h14

Ex-ministros são os principais rivais de Karzai nas eleições afegãs

CABUL, Afeganistão, 13 Ago 2009 (AFP) - Os ex-ministros do governo de Hamid Karzai no Afeganistão, Abdullah Abdullah, das Relações Exteriores, Ashraf Ghani, da Fazenda, e Ramazan Bashardost, do Planejamento, são os principais adversários do atual presidente nas eleições de 20 agosto, as segundas consultas democráticas realizadas no país desde a queda dos talibãs em 2001.

Entre os 40 concorrentes do atual presidente, o "Doutor" Abdullah é apontado pelos analistas como o mais provável a levar a disputa para um segundo turno, após passar cinco anos como líder da diplomacia afegã.

Desde que deixou o governo, Abdullah é conhecido pelas duras críticas dirigidas ao atual mandatário.

"Karzai tinha tudo nas mãos, mas foi desastroso. Não há nenhuma razão para lhe dar mais cinco anos", afirmou em um recente comício.

Apresentando uma campanha incansável, o ex-chanceler aumentou consideravelmente nas últimas semanas suas chances de vencer, acreditam os observadores. A violência e o desemprego crescente são apontados como um dos fatores que enfraquecem o atual governo e podem impulsionar a carreira de opositores.

Nascido em 1960, casado e pai de quatro filhos, o oftalmologista construiu sua reputação durante três décadas como o braço direito do "herói nacional" Ahmad Shah Massoud, famoso pela resistência à ocupação soviética e talibã, assassinado em 9 de setembro de 2001.

Abdullah frequentemente denuncia a "falta de conexão" entre o governo Karzai e da população, que sofre pela corrupção e pela crescente violência.

"A segurança está se deteriorando, a situação política é caótica, os problemas das pessoas não são tratados como deveriam", disse recentemente à AFP.

Filho de uma tadjique, uma das minorias étnicas do país, com um pashtun, analistas apontam que essa "descendência dupla" pode ainda ser um fator de agregação de votos.

Abdullah afirma estar otimista com o resultado das eleições. "Se tivermos uma eleição crível e transparente, o povo do Afeganistão poderá fazer as melhores escolhas para si".

Uma pesquisa americana publicada no domingo coloca o ex-chanceler na segunda posição, com 25% dos votos, atrás de Karzai, que teria 45%, o que apontaria um segundo turno.

Outro candidato indicado como possível adversário de Karzai em um segundo turno é o economista Ashraf Ghani, ex-ministro da Fazenda, que tem como objetivo de campanha "tirar o país da pobreza".

Esse professor universitário de 60 anos, que renunciou à sua cidadania americana, promete aos afegãos um "novo começo". Ghani possui um programa de 20 anos destinado a impulsionar a economia, uma das mais pobres do mundo, além de tentar retirar os jovens da guerra.

O economista tem ainda a meta inicial de que "em dentro de dois anos, 60% da população esteja indo na direção certa", explicou à AFP recentemente, em Cabul.

Ex-funcionário do Banco Mundial, Ghani é doutor pela prestigiada Universidade de Colúmbia em Nova York, e permaneceu no governo afegão de 2002 a 2004.

Ele adquiriu uma reputação de eficiência e confiabilidade internacionalmente, mas ainda é pouco conhecido no seu país. Um dos planos de campanha é "dividir o país em sete zonas econômicas", para melhor gerência de todo o país.

Já Ramazan Bashardost, de 48 anos, considerado por analistas um personagem a parte do cenário político afegão, tem sua campanha marcada pelo discurso inflamado contra a corrupção e os chefes militares.

Conhecido por sua independência, Bashardost, da etnia hazará, é famoso por sua personalidade imprevisível e ganhou certo respeito ao longo de sua campanha, apesar de possuir poucas intenções de voto nas últimas pesquisas apresentadas.

O candidato experimentou sua primeira consagração no domingo passado, ao ser convidado para um debate televisionado junto com o atual presidente Hamid Karzai e o ex-ministro da Fazenda, Ashraf Ghani.

Contudo, uma pesquisa liberada na sexta-feira por um instituto americano mostra que o ex-parlamentar deve ter menos de 10% dos votos, bem atrás de Karzai (44%) e de Abdullah (26 %). Apesar disso, Bashardost se diz confiante "na vitória no primeiro turno".

De etnia hazará, o candidato é um parlamentar independente que conta com certo apoio popular, com sua retórica de defesa dos pobres.

Refugiado no Irã em 1978, se mudou em seguida para o Paquistão, indo depois para a França, onde estudou diplomacia. Em 2004, após alguns meses como ministro do Planejamento, se demitiu alegando a incapacidade do governo de agir contra a corrupção.

O episódio lhe estabeleceu uma imagem de Dom Quixote em um país marcado pela falta de transparência na utilização dos bilhões de dólares de ajuda internacional. Um ano mais tarde, foi facilmente eleito em Cabul.

Para "reduzir o seu custo com gasolina", ele se mudou para o Parlamento, em uma tenda rudimentar, onde recebe seus eleitores e dorme sobre em uma velha cama, rodeado por alguns livros.

Cerca de 17 milhões de afegãos são esperadas para comparecer às 7.000 seções de votação, onde serão realizadas simultaneamente as eleições provinciais, sob proteção da polícia e de 300.000 soldados.

No total, 41 candidatos, incluindo duas mulheres, concorrem à presidência.

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