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19/08/2009 - 09h06

Afeganistão em alerta máximo para eleição ameaçada por talibãs

CABUL, Afeganistão, 19 Ago 2009 (AFP) - As forças de segurança afegãs estão em estado de alerta máximo nesta quarta-feira para tentar impedir que os extremistas talibãs cumpram as ameaças de manchar de sangue as eleições presidenciais e provinciais de quinta-feira.

Apesar do esforço das autoridades para convencer a população de que não será perigoso sair de casa e votar, as promessas das forças afegãs e estrangeiras de garantir a segurança não saíram do papel, porque o número de ataques aumentou nos últimos dias no coração de Cabul.

Terça-feira, um atentado suicida matou um soldado da Otan e nove civis afegãos, dois deles funcionários da ONU. Além disso, foguetes disparados pelos talibãs atingiram um imóvel da presidência. Em todo o país, o número total de mortos nos ataques aumentou para pelo menos 21.

Nesta quarta-feira, 12 afegãos, entre eles cinco civis, dois agentes eleitorais, um governador distrital, um chefe tribal e três policiais morreram em diferentes atentados no sul e no leste do país, segundo as autoridades.

Em outro incidente em Cabul, as forças oficiais mataram três homens armados, considerados talibãs pela polícia, que atacaram pela manhã um banco no centro da capital.

"A segurança é preocupante, mas para nos livrarmos desta situação temos de emitir nosso voto", disse a funcionária de uma multinacional, de 25 anos, que se apresentou somente como Masuda.

Em contrapartida, outras pessoas consideram que os riscos de votar são elevados demais.

"Não deixarei minha família para votar em condições tão ruins assim", afirmou Abdul Qadir, vendedor de cigarros de 40 anos em Cabul.

O ministério das Relações Exteriores pediu aos meios de comunicação afegãos e internacionais que não informem os eventuais ataques de quinta-feira entre 06H00 e 20H00 locaos, para não assustar as pessoas e para "garantir uma grande participação do povo afegão".

Os talibãs denunciam as eleições como uma farsa realizada pelos Estados Unidos e ameaçaram atacar os colégios eleitorais.

As autoridades temem que estas ameaças provoquem uma forte abstenção. Quase 17 milhões de eleitores estão registrados para votar e 250.000 observadores (10% deles independentes, incluindo 400 internacionais) foram mobilizados para garantir a transparência da votação.

As eleições são uma prova crucial para a democracia instalada pelas forças estrangeiras que expulsaram os talibãs do poder em 2001 após os atentados de 11 de Setembro nos Estados Unidos.

No Afeganistão, 70% dos habitantes são analfabetos e vivem em um emaranhado sistema de alianças tribais e religiosas.

Apesar do atual presidente, Hamid Karzai, ser o grande favorito destas eleições, a energética campanha do ex-chanceler Abdullah Abdullah pode levar o pleito ao segundo turno, previsto para seis semanas mais tarde.

Os colégios eleitorais abrirão as portas às 7H00, mas ainda não se sabe quantos funcionarão normalmente.

No total, 41 candidatos se inscreveram para as eleições presidenciais. Nas eleições provinciais, 3.196 candidatos, dos quais 328 são mulheres, disputarão 420 cadeiras em 34 províncias.

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